Juros sobem puxados por comentário do BC americano

O mercado de juros abriu o dia com taxas em alta, dando continuidade à cautela de segunda-feira em razão do pronunciamento (ontem à noite) do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Ben Bernanke. Ele sinalizou a continuidade do ciclo de aumento dos juros americanos. Além disso, hoje será divulgado o índice de preços ao produtor (PPI) de fevereiro nos EUA e poderá também influenciar os mercados internacionais, com eventuais reflexos aqui. O dólar abriu em alta, o que reforça a cautela nos juros. Antes da fala de Bernanke, chegou-se a cogitar nos mercados financeiros internacionais que o Fed poderia até inclinar-se para o fim do ciclo de aperto monetário nesse momento. Mas isso não ficou evidente no discurso de Bernanke. Ao contrário, ganhou reforço a idéia anterior à divulgação da inflação ao consumidor nos EUA, na quinta-feira passada, de que o juro norte-americano poderá subir pelo menos mais duas vezes, chegando a 5% (hoje está em 4,5%). Nesta manhã, dados de vendas do varejo brasileiro divulgados pelo IBGE mostraram que estas cresceram bem mais do que o mercado esperava (2,35% em janeiro ante dezembro, o teto das projeções dos analistas era de um crescimento de 0,70%). É mais um sinal da retomada da atividade econômica, mas como foi bem mais forte que o previsto, pode somar-se aos motivos de hoje para os juros subirem um pouco. No sistema eletrônico GTS da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), a taxa de juros projetada nas negociações do contrato futuro de DI (depósito interfinanceiro) com vencimento em janeiro de 2008 subia para 14,60% (às 9h45), ante 14,53% de ontem; a taxa do DI de janeiro de 2007 estava em 15,08%, ante 15,07% de ontem.

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