Juros têm alta com avanço do dólar e sob influência externa

Indicadores como os dados de crédito no Brasil e índice de confiança da FGV pouco efeito tiveram sobre o mercado

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

24 de maio de 2013 | 16h57

O dólar em alta diante do real e o crescimento acima do esperado das encomendas de bens duráveis nos EUA ajudaram a garantir mais um dia de avanço para as taxas futuras de juros nesta sexta-feira, 24. Enquanto a valorização da moeda norte-americana contribui para piorar ainda mais o cenário de inflação, indicadores melhores nos EUA reforçam a percepção de que o Federal Reserve pode reduzir os estímulos à economia em breve. Com isso, as apostas em uma alta mais intensa da Selic na próxima semana, de 0,50 ponto porcentual, ganharam ainda mais corpo nesta sexta-feira.

Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, o contrato de DI com vencimento em julho de 2013 (500.475 contratos) marcava 7,56%, de 7,53% no ajuste anterior. O DI com vencimento em janeiro de 2014 (341.370 contratos) apontava 8,15%, de 8,11% ontem. O juro com vencimento em janeiro de 2015 (211.620 contratos) indicava 8,60%, de 8,55% na véspera. Entre os longos, o contrato com vencimento em janeiro de 2017 (145.740 contratos) marcava 9,35%, ante 9,30% ontem, e o DI para janeiro de 2021 (6.440 contratos) estava em 9,99%, de 9,98% no ajuste anterior.

"Os recentes discursos da autoridade monetária levaram os investidores a enxergar a possibilidade de um aperto mais firme. Mas, junto a isso, o dólar elevado também é fator adicional de pressão sobre a inflação, reforçando as chances de a Selic subir 0,50 ponto porcentual", afirmou um operador. Hoje, o dólar à vista no mercado de balcão fechou com avanço de 0,20%, a R$ 2,0500.

As encomendas de bens duráveis norte-americanas aumentaram 3,3% em abril, bem acima da expectativa de alta de 1,3%. Como o dado é um importante indicador antecedente de atividade, pode ganhar ainda mais peso na decisão do Fed sobre os estímulos à economia dos EUA. O pessimismo, no entanto, prevaleceu nos mercados de risco, mais uma vez devido a desconfianças com a atividade da China.

No Brasil, os poucos indicadores tiveram efeito praticamente neutro sobre os mercados. O estoque de operações de crédito do sistema financeiro subiu 1,1% em abril ante março, para R$ 2,452 trilhões, de acordo com o Banco Central. O juro médio no crédito livre subiu de 26,1% ao ano em março para 26,3% ao ano em abril. Já a inadimplência média permaneceu em 5,5% no mês passado.

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou, pela manhã, que a confiança do consumidor caiu 0,4% em maio, após ficar estável em abril (0,0%). A interpretação da própria FGV é de que o quadro é de estabilidade, mas também de insegurança, principalmente, em relação ao mercado de trabalho, juros e inflação. Em maio, os consumidores demonstraram estar mais otimistas com a situação financeira da família do que no mês anterior, porém, estão mais preocupados com o futuro.

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