Juros têm leve queda após Focus

Focus mostrou queda das expectativas em todos os horizontes para o IPCA, mas a projeção para julho ainda parece alta: passou de 0,20% para 0,11%

Marisa Castellani, da Agência Estado,

26 de julho de 2010 | 10h24

O mercado futuro de juros abriu o dia com leve queda nas taxas projetadas pelos contratos de DI. Há ainda uma certa decepção com a pesquisa Focus do Banco Central (BC) que, embora traga ajustes consideráveis em relação à anterior, pareceu bem atrasada em relação às contas feitas nas mesas de operação, após o Comitê de Política Monetária (Copom) ter elevado em 0,50 ponto porcentual a Selic (a taxa básica de juros) na última quarta-feira.

 

Aparentemente, segundo operadores, muita gente deixou de atualizar suas expectativas no levantamento encaminhado ao BC. De todo modo, a tendência vista na pesquisa é de recuo tanto nas expectativas para a inflação quanto nas previsões para a Selic no fim do ano. Pelo levantamento, os analistas ainda esperariam uma alta de 0,75 ponto porcentual na Selic em setembro - nas mesas, a ideia é de 0,50 ponto porcentual - e um resíduo de 0,25 ponto em outubro. Ainda pela Focus, 2010 terminaria com Selic a 11,75% ao ano, sendo que o juro básico continuaria neste patamar no ano que vem.

 

Em relação ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a Focus mostrou queda das expectativas em todos os horizontes, mas a projeção para julho ainda parece alta: passou de 0,20% para 0,11%, mesmo após deflação de 0,09%

vista no Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) do mês. Nas mesas de operações, as previsões para o próximo IPCA estão em torno de zero, com teto em 0,10%. Para agosto, a mediana das expectativas na Focus para o IPCA caiu de 0,35% para 0,32%. Para 2010, a previsão do IPCA recuou de 5,42% para 5,35% e, para 2011, elas foram

mantidas nos mesmos 4,80% da pesquisa anterior.

 

A grande ansiedade do mercado de juros está reservada para quinta-feira, quando será divulgada a ata da reunião do Copom. Operadores e analistas esperam um documento bem diferente do último relatório trimestral de inflação, divulgado no fim de junho. A ata deverá mostrar um cenário prospectivo para a inflação bem mais tranquilo que o desenhado até então. Será importante conferir também os pesos dados pelo BC ao cenário externo e ao interno na decisão de suavizar o ritmo de alta do juro básico. Ainda que seja clara nas mesas a sinalização do Copom de que o fim do ciclo de aperto monetário está próximo, não se acredita que a autoridade monetária seja tão assertiva quanto a isso na ata.

 

Após os testes de estresse europeus e até a divulgação da ata, o mercado de juros estará particularmente atento aos dados de atividade no exterior e no Brasil, particularmente aos relacionados à economia dos EUA. Hoje, foi divulgado o índice de atividade nacional dos EUA do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) de Chicago, que caiu de 0,31 em maio para -0,63 em junho, enquanto a média móvel do índice em três meses caiu de 0,31 em maio para -0,05. Essa queda da média móvel, mais observada pelo mercado, segue-se a quatro meses seguidos de melhora, ilustrando a fragilidade da recuperação da economia dos EUA.

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