Juros terminam pregão com viés de alta à espera de ata

Mercado trabalha em expectativa, sem que investidores queiram se arriscar antes de conhecer o documento que explicará os motivos para a subida de 0,25 ponto porcentual da taxa Selic

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

24 de abril de 2013 | 16h57

As taxas futuras de juros terminaram o pregão desta quarta-feira, véspera da divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), com leve viés de alta, em meio a um fraco volume de negócios. De acordo com profissionais da área de renda fixa, o mercado trabalha em compasso de espera, sem que os investidores queiram se arriscar antes de conhecer o documento que explicará os motivos para a alta de 0,25 ponto porcentual da taxa Selic na última semana. Até porque os indicadores domésticos de inflação conhecidos nesta quarta-feira não trouxeram surpresas.

Ao término da negociação normal na BM&F, o contrato de DI com vencimento em julho de 2013 (75.190 contratos) marcava 7,40%, de 7,39% no ajuste anterior. O DI com vencimento em janeiro de 2014 (144.135 contratos) apontava máxima de 7,83%, de 7,81% nesta terça-feira (23). O juro com vencimento em janeiro de 2015 (152.425 contratos) indicava 8,28%, de 8,25% antes. O contrato com vencimento em janeiro de 2017 (90.035 contratos) marcava 8,89%, ante 8,87% na véspera, e o DI para janeiro de 2021 (15.025 contratos) estava em 9,54%, ante 9,50% no ajuste.

"O mercado espera que a ata traga mais clareza sobre os próximos passos do Banco Central. O documento deve definir se a leitura que o mercado fez a partir do comunicado e da divisão do último encontro, de que a estratégia é de gradualismo, está correta", avaliou um operador. "Por ora, os investidores seguem apostando em mais três elevações de 0,25 ponto porcentual, em um ciclo total de 1 ponto", disse outra fonte.

De acordo com sondagem do AE Projeções, a grande expectativa dos economistas do mercado financeiro em relação à ata é saber detalhes sobre as "incertezas" que a diretoria do Banco Central enfatizou no comunicado que acompanhou a decisão de elevar a taxa básica para 7,50% ao ano. De acordo com os analistas consultados, conhecer as minúcias destas dúvidas ligadas ao cenário interno e, especialmente, ao externo, pode ajudar a descobrir qual a real rota que o BC adotará no provável plano de voo de aperto da política monetária para controlar a resistente inflação no País.

Entre os indicadores conhecidos nesta quarta-feira, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) ficou em 0,54% na terceira quadrissemana de abril, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), de 0,65% na segunda leitura. A desaceleração foi puxada pela perda de força de Alimentação (de 1,37% para 1,13%). Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação da cidade de São Paulo, registrou uma alta de 0,17% na terceira quadrissemana de abril. O número representa uma alta maior em relação à segunda leitura de abril, quando apresentou um valor positivo de 0,08%. O resultado apurado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) ficou próximo à mediana encontrada pelo AE Projeções, de 0,18%.

Mais cedo, o Ministério da Fazenda divulgou o boletim "Economia Brasileira em Perspectiva", relativo ao primeiro trimestre deste ano. Segundo o documento, a economia brasileira começou 2013 com ritmo de crescimento mais intenso, dando prosseguimento à trajetória de aceleração verificada a partir do segundo semestre de 2012. "Apesar das dificuldades que persistem na economia internacional, a economia brasileira continua crescendo gradualmente", informou o boletim. O documento também trouxe a informação de que condições mais favoráveis de oferta de alimentos devem influenciar, neste ano, a trajetória da inflação ao consumidor. "Esta dinâmica deverá se aprofundar nos próximos meses."

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