Juros voltam a subir, puxados por dólar e fala de Dilma

Com incentivo ao consumo e avanço do dólar, a aposta é de Selic mais alta para segurar a inflação

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

12 de junho de 2013 | 17h10

As notícias abriram espaço, mais uma vez, para a alta das taxas dos contratos futuros de juros nesta quarta-feira, 12. A continuidade do avanço do dólar - sem que o Banco Central (BC) atuasse para conter as cotações -, os comentários da presidente Dilma Rousseff sobre inflação e contas públicas e o programa de incentivo ao consumo, no âmbito do Minha Casa, Minha Vida, impulsionaram as taxas. A percepção é que, com tantos incentivos ao consumo e com o dólar pressionado, será preciso segurar a inflação com uma Selic, taxa referencial da economia brasileira, mais alta.

No fim da sessão regular, a taxa do contrato futuro de juros com vencimento em outubro de 2013 ficou em 8,30% (50.655 contratos negociados), ante 8,29% do ajuste da véspera. O DI para janeiro de 2014 (304.325 contratos) marcou 8,77%, ante 8,70%, enquanto o vencimento para janeiro de 2015 (337.950 contratos) ficou com taxa de 9,73%, ante 9,49%.

Na ponta mais longa da curva a termo, o contrato para janeiro de 2017 (204.385 contratos) fechou com taxa de 10,65%, na máxima, ante 10,38% na véspera, enquanto o DI para janeiro de 2021 (31.055 contratos) marcou 11,09%, também na máxima, ante 10,84%.

Pela manhã, o recuo da moeda norte-americana ante o real chegou a trazer um viés de queda para as taxas de juros, já que um dólar mais baixo indica menos pressão sobre a inflação. A situação mudou após a presidente Dilma Rousseff anunciar uma linha de crédito para que participantes do Minha Casa possam comprar móveis e eletrodomésticos. A iniciativa representa mais consumo e mais pressão sobre os preços, em um ambiente de preocupações com a política fiscal do governo. 

Dilma afirmou que "a situação real é de inflação sob controle e contas públicas sob controle", o que também deu impulso às taxas dos contratos futuros. O economista sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano, citou a desconfiança em relação ao Brasil, o cenário de incerteza no exterior e o pacote de estímulo ao consumo de eletrodomésticos como fatores que contribuíram para o avanço dos juros no mercado futuro. "O pacote de estímulo, quando todos esperavam que pudesse vir uma medida de ajuste fiscal, e essa grande indefinição, incerteza, ajudam um pouco (na alta das taxas)", comentou.

A alta consistente do dólar, intensificada no fim do dia, também puxou os juros, destacou um operador. "O dia começou mais animado, com venda (de taxa). Estava com jeito de que as Bolsas começariam o dia melhor. Mas o dólar começou a subir e os juros foram junto", observou o profissional. No mercado à vista de balcão, o dólar fechou em alta de 0,70%, a R$ 2,1520, muito perto da máxima de R$ 2,1570 verificada pouco antes das 16h30. Com a corrida de última hora no dólar, as taxas dos contratos futuros de juros também aceleraram, em especial nos vencimentos mais longos, em que os investidores estrangeiros costumam atuar.

Ainda assim, seguem monitorados os passos do governo, que, para alguns profissionais do mercado, pode anunciar, nos próximos dias, medidas na área fiscal, para resgatar a confiança dos investidores e, em paralelo, auxiliar o BC no combate à inflação.

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