Juros voltam a subir sob influência da alta do dólar

Em dia de liquidez reduzida, as taxas futuras seguiram a moeda dos EUA e à espera do Fed

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

30 de julho de 2013 | 16h48

Com os investidores ainda em compasso de espera pelo término na quarta-feira, 31, da reunião de dois dias de política monetária do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), a liquidez no mercado de juros foi, novamente, limitada, mas o sinal de alta das taxas prevaleceu nesta terça-feira, 30.

O movimento foi sustentado, mais uma vez, pelo avanço generalizado do dólar, inclusive no Brasil, e pelo sinal positivo dos juros dos títulos do Tesouro dos EUA, os chamados Treasuries. De qualquer forma, o resultado do Índice de Preços Geral - Mercado (IGP-M) de julho levemente abaixo da mediana das estimativas e o superávit primário do setor público consolidado de junho, acima do teto das projeções, limitaram o acúmulo de prêmios.

Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, a taxa do contrato futuro de juro para outubro de 2013 (109.110 contratos) era negociada a 8,472%, de 8,462% no ajuste anterior. O contrato para janeiro de 2014 (200.640 contratos) marcava 8,84%, de 8,81% na véspera. O vencimento para janeiro de 2015 (335.305 contratos) indicava taxa de 9,59%, de 9,48%. Na ponta mais longa, o contrato para janeiro de 2017 (172.185 contratos) apontava 10,77%, ante 10,68%. O DI para janeiro de 2021 (5.375 contratos) estava em 11,16%, de 11,12% no ajuste anterior.

De acordo com operadores, enquanto o mercado não toma conhecimento de sinais mais claros sobre a política de estímulos do Fed à economia dos EUA, a cautela domina os negócios. Assim, o movimento de alta dos juros encontra amparo apenas no dólar e nos juros do Treasuries, uma vez que os indicadores domésticos poderiam sugerir viés de baixa para as taxas futuras. Neste pregão, o dólar à vista no mercado de balcão subiu 0,53%, a R$ 2,2810.

Logo cedo, a Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que o IGP-M de julho subiu 0,26%, após alta de 0,75% em junho. O resultado ficou ligeiramente abaixo da mediana das estimativas coletadas pelo AE Projeções, de 0,28%. Ainda pela manhã, o Banco Central mostrou que o setor público consolidado apresentou superávit primário de R$ 5,429 bilhões em junho, após R$ 5,681 bilhões em maio e R$ 2,794 bilhões em junho do ano passado. O resultado do mês passado ficou acima do teto do intervalo de estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo AE Projeções (R$ 1,1 bilhão a R$ 4,7 bilhões) e foi ajudado pelos números dos governos regionais.

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