Laboratório Aché perde a liderança para EMS

O laboratório brasileiro Aché perdeu a liderança no mercado farmacêutico para a EMS em 2006, após conquistá-la um ano antes com a aquisição da Biosintética. As vendas do Aché caíram de 77 milhões para 71,6 milhões de unidades no último ano, enquanto a EMS atingiu a marca de 79,8 milhões no mesmo período. Os dados, que acabaram de ser divulgados para a indústria pela IMS Health- a empresa que audita o setor - , levam em conta os medicamentos vendidos com receita médica e os genéricos, critério mais utilizado pelo mercado.A queda de participação foi mais abrupta no segmento de genéricos - de 12,37% para 7,93%, uma diferença de quase 40% em um ano. Com isso, o Aché foi ultrapassado pela Eurofarma, tornando-se a quarta do ranking, tanto em termos de volume quanto de faturamento.A compra da Biosintética - o negócio mais caro fechado até hoje na indústria farmacêutica brasileira, avaliado em mais de R$ 600 milhões à vista -, foi o passaporte do Aché para entrar no promissor mercado de genéricos. O segmento movimentou mais de US$ 1 bilhão e cresceu quase 30% em 2006.No mercado, a avaliação é de que o Aché não foi hábil em incorporar a companhia e não vai conseguir recuperar a posição da Biosintética tão cedo. ?Eram duas empresas muito distintas. A Biosintética era menor, mais ágil, com menos hierarquia. O Aché tinha 3 mil funcionários e dois caras (Elói Bosio, presidente até novembro de 2006, e José Ricardo Mendes, diretor financeiro e atual número 1) ditando as regras?, diz um executivo do mercado. ?Para piorar, havia conflito entre eles, o que criava uma instabilidade altíssima na equipe. Ninguém sabia direito os objetivos da empresa.?Em apenas seis meses, cinco ex-diretores da Biosintética pediram demissão. Em novembro, foi a vez de Bosio - executivo de mercado indicado pela McKinsey - deixar o cargo que ocupava desde 2003.O Aché também decidiu tirar vários remédios genéricos do mercado por considerá-los com custos altos demais. ?Essa é uma das explicações para a queda na participação?, explica o diretor-geral de operações, José Ricardo Mendes. ?Tiramos temporariamente do mercado para revermos custos.?A estratégia do Aché é considerada de alto risco. Na opinião de um empresário do setor, o custo de voltar às prateleiras das farmácias pode sair mais alto que o da revisão de margem de lucro. ?Genérico é uma commodity. Um laboratório não pode olhar a margem em apenas uma linha de produto. Ele precisa compensar os ganhos na cesta de produtos ou com escala?, diz o empresário. ?Não vejo chances de o Aché conseguir colocar esses medicamentos de volta. Eles são extremamente conservadores na comercialização com o varejo.?As empresas líderes no ramo de genéricos - EMS, Medley e Eurofarma - são tidas como uma das mais agressivas da indústria. Além dos gordos descontos, existe a prática comum de bonificar o varejo em forma de produtos. Segundo Mendes, o Aché não vai entrar nesse jogo. ?Na hora em que você incorpora uma empresa que bonificava, é natural que esse número de unidades caia. O Aché tem como prática ser o melhor e não o maior?, diz Mendes. ?Essa política ajuda a explicar a queda, mas não justifica a perda?, diz um empresário do setor.

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