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Lagarde prepara viagens para obter apoio ao FMI e deve visitar Brasil

Ministra de Finanças da França, que oficializou sua candidatura ao cargo de diretora-gerente do FMI, disse 'China, Brasil e Índia são uma necessidade absoluta'

Danielle Chaves, da Agência Estado,

26 de maio de 2011 | 08h58

A ministra de Finanças da França, Christine Lagarde, afirmou que está preparada para visitar a China possivelmente no domingo, como parte de um esforço para obter amplo apoio para sua candidatura ao cargo de diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI). Lagarde disse que também pretende viajar ao Brasil e à Índia. "China, Brasil e Índia são uma necessidade absoluta", afirmou.

Um dia depois de anunciar formalmente sua candidatura, ministra de Finanças da França disse que está em busca de amplo apoio e não apenas de suporte da Europa. "Eu certamente preferiria ser endossada por uma grande maioria, em vez de ser a candidata da Europa empurrada pelos europeus", declarou.

Se conseguir o cargo, Lagarde disse que quer provar sua independência do governo francês logo no começo de seu mandato. A ministra também começou a delinear suas prioridades caso assuma a direção do FMI. Lagarde afirmou que vai continuar dando apoio para um maior equilíbrio nos direitos de voto dentro do fundo para ter certeza de que grandes países populosos, como a Indonésia, sejam mais bem representados.

"Nós precisamos continuar melhorando a governança do fundo. É uma instituição que tem se adaptado e deve se adaptar ao restante do mundo", afirmou. "Há países muito pequenos com um peso como o da Indonésia, por exemplo. Com respeito a isso, o fundo precisa mudar."

Lagarde observou que uma das principais prioridades do FMI deve ser fornecer apoio aos países do norte da África e do Oriente Médio, onde regimes autoritários estão sendo derrubados por uma onda de revoltas populares.

A ministra acrescentou que, sobre a questão do reequilíbrio das moedas, a posição que a França vem tomando como líder do G-20 - a de não incentivar a acumulação de reservas - é uma "boa proposta". Com relação à crise europeia, Lagarde reiterou que a posição da França sobre uma possível reestruturação da dívida da Grécia é de que isso "está fora de questão".

Caso Lagarde seja escolhida para o cargo, irá herdar uma instituição profundamente traumatizada por escândalos sexuais - como o que provocou a renúncia de Dominique Strauss-Kahn ao cargo de diretor-gerente. Mas a ministra afirmou que vai impedir que sua campanha seja tomada por esse assunto. "A última coisa que a instituição precisa é de qualquer tipo de campanha ou declaração que seja baseada nisso."

Lagarde destacou que sua candidatura não deve ser vista sob o prisma da sua nacionalidade e que ela espera ser julgada com base em seu histórico. A ministra afirmou que seu estilo de administração tem origem em alguns princípios fundamentais: "ser responsável, ser honesta e os outros dois pilares são respeito e tolerância". "O mero fato de uma mulher estar no topo de uma organização é realmente um conforto", disse. As informações são da Dow Jones.

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