Legg Mason vê Bolsa barata, mas dependente de cenário externo

Os fundos de ações têm espaço para valorização, mas investidores terão que ter paciência e aguardar que as incertezas no cenário externo se dissipem ou ao menos se atenuem. A visão é do gestor de renda variável da corretora Legg Mason, Paulo Clini. A principal dúvida, explica, se concentra na magnitude da desaceleração da economia norte-americana. ?O cenário de um pouso forçado nos EUA será pior para as ações?, prevê. Clini estima que o mercado acionário brasileiro tem um potencial de até 45% de alta, em um modelo com ações que compõem o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo. Isso significa que, sabendo escolher as ações, o investidor pode ver seu dinheiro render até 45% no prazo de um ano. ?O comportamento do mercado externo continua essencial, mas a Bolsa, como ativo, não está cara?, avalia. O gestor dá algumas dicas para que o pequeno investidor garimpe as ações na Bolsa. Segundo ele, as principais oportunidades do mercado neste momento estão nos papéis cuja dinâmica depende pouco de fatores externos. É o caso, por exemplo, das empresas de construção civil e do setor varejista. Sobre a construção civil, Clini afirma que ?a expansão do crédito e a capitalização das companhias - a maior parte delas realizou ofertas de ações na Bolsa há pouco tempo - favorece o setor?. Ele ressalta, contudo, que o movimento não vale para todos os papéis, já que alguns se encontram com preços considerados justos, ou seja, não apresentam potencial de valorização. Entre as boas opções, o profissional destaca Duratex e Company. ?As duas empresas estão baratas e devem apresentar um crescimento muito forte nos resultados?, calcula. No caso de Company, ele projeta uma expansão operacional de quase 300% nos próximos dois anos. Já o setor de varejo, de acordo com a análise do gestor da Legg Mason, foi beneficiado pela queda nas taxas de desemprego, pelo aumento real do salário mínimo e pela expansão do crédito. Isso porque, dados esses fatores, a tendência é de aumento no consumo, o que pode elevar o lucro das empresas varejistas e, portanto, fazer crescer o valor de suas ações na Bolsa. Segundo Clini, a melhor ação do setor nesse momento é Lojas Renner, em razão do crescimento das vendas financiadas. A outra aposta da instituição é Pão de Açúcar, apesar do ambiente um pouco mais difícil, com a queda dos preços dos alimentos. Além desses setores, Clini aponta como boas escolhas as ações de siderurgia. Embora mais influenciadas pelo cenário externo, esses papéis também apresentam chances de rentabilidade para o investidor, segundo o especialista. ?Ainda enxergamos valor no setor. À medida que a incerteza diminuir, isso deve ficar mais claro para o mercado?, acredita. A Legg Mason, que assumiu no ano passado a área de asset management (administração de recursos) do Citigroup, administra no Brasil um total de R$ 22 bilhões em recursos, dos quais R$ 1,7 bilhão em ações.

Agencia Estado,

04 de agosto de 2006 | 07h00

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