Lei da concorrência dificultaria compra da Ipiranga, diz Petrobras

Embora a Petrobras tenha planos de ampliar a participação de mercado da BR Distribuidora, hoje em 35%, o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, descartou que existam negociações para a compra da Ipiranga. "Se estivesse interessado em comprar a empresa, não falaria para a imprensa", acrescentou. Gabrielli apresentou hoje o Plano de Negócios da Petrobras 2007-2011 para os empresários paulistas na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.A estratégia para ampliar a participação de mercado da BR inclui aquisições, além do crescimento orgânico. Mas, segundo Gabrielli, a compra de uma grande empresa seria mais complicada porque poderia enfrentar dificuldades de aprovação da operação pelo Conselho de Defesa da Concorrência (Cade). "Temos 35% do mercado, por isso, grandes aquisições terão alguma dificuldade quanto à Lei da Concorrência", disse. O interesse da Petrobras em aquisições, por esta lógica, estaria mais centrado em empresas pequenas. "Podemos ter uma ação mais ativa de aquisições de empresas menores", explicou.No segmento de refino, o plano da Petrobras é chegar a 2015 com 3,2 milhões de barris por dia. Os investimentos previstos para o período de 2006 a 2011 são de US$ 14,2 bilhões, sendo a maior parte para melhorar a qualidade da gasolina e do diesel, diminuindo a quantidade de enxofre. "Essa é uma exigência para que possamos exportar para os Estados Unidos e Europa", disse Gabrielli.A conversão das refinarias também receberá atenção, para que a empresa possa aumentar sua capacidade de processar óleo pesado. Hoje, as refinarias da Petrobras trabalham com 80% do óleo nacional, que é pesado, e a meta é chegar a 2011 com 90%. Mesmo as refinarias no exterior, como a recentemente adquirida de Pasadena, nos Estados Unidos, serão convertidas para processar o óleo pesado. "Isso garante uma margem melhor para a operação", explica Gabrielli. Como o preço do óleo pesado é mais barato que o leve, essas refinarias conseguem uma margem de ganho maior.Essa margem vem aumentando em razão da diferença de preços entre o petróleo pesado e leve. Gabrielli cita como exemplo a comparação entre óleo combustível (feito de óleo pesado) e o diesel (feito de leve): "A diferença de preços entre os dois produtos até pouco tempo era de US$ 19, hoje está em US$ 49 o barril", diz.

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