Lei de oferta e demanda define reajuste contratual de aluguéis

A lei de oferta e demanda começa a falar mais alto do que os indexadores de preços na hora de reajustar os aluguéis, cujos contratos seguem a variação do Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em 12 meses até maio, o IGP-M acumula queda de 0,32%. "Na prática é o mercado que vale na hora de reajustar o aluguel", afirma o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto. Segundo ele, o uso do IGP-M nos contratos é só para constar. O inquilino que paga regularmente tem espaço para negociar com o proprietário do imóvel. No momento, observa Viana Neto, há equilíbrio entre oferta e procura. Essa estabilidade está promovendo uma maior procura pelos imóveis em áreas mais valorizadas de São Paulo. "É cedo para falar que o Brasil está deixando de lado a indexação", observa o diretor da RC Consultores, Fábio Silveira. Mas ele ressalta que há indícios de que esse movimento esteja ocorrendo. Nos últimos 12 meses encerrados em maio, o IGP-M teve queda de 0,32%. Enquanto isso os aluguéis, segundo o Índice de Preços ao Consumidor da Fipe, subiram 1,4%. "Ainda precisamos testar essa hipótese com o País crescendo mais por um período maior." Pelo segundo ano consecutivo, o impacto da deflação deverá ser sentido no bolso do consumidor nas contas de energia elétrica.O reajuste da Eletropaulo, que abastece a cidade de São Paulo e 23 municípios, deverá ser divulgado no dia 4 do mês que vem pela Aneel. No ano passado, ficou em 2,12%, bem abaixo do IGP-M de 7,12% acumulado em 12 meses. "Neste ano pode ser que o indexador seja negativo", prevê o consultor da LCA, Rafael Castro. O economista observa que, no caso da telefonia, pela primeira vez neste ano as tarifas serão corrigidas por um indexador misto, composto pela variação do IGP-DI até dezembro de 2005 e um índice específico do setor (IST). Os pedágios cobrados nas estradas paulistas não tiveram reajuste este ano por causa da deflação dos índices de preços, lembra Castro. "Com a estabilidade econômica, a tendência é cada vez mais usar índices setoriais para reajustar os contratos", diz o economista da LCA. Silveira, da RC Consultores, observa que o IGP-M, pelo fato de ser fortemente influenciado pelos preços no atacado (60%) e, portanto, sensível às variações do câmbio, não se trata de um bom indexador.

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