Leilão de títulos públicos bem-sucedido puxa juros para baixo

O leilão de títulos públicos do Tesouro realizado nesta terça-feira norteou mais uma vez os negócios no mercado de juros futuros. Mas, desta vez, a influência foi positiva. O leilão de Letras do Tesouro Nacional (títulos prefixados), Notas do Tesouro Nacional série F (prefixado com pagamento periódico de juros) e Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B, corrigida pelo IPCA) foi considerado bem-sucedido, porque combinou demanda forte pelos papéis e taxas dentro do consenso de mercado. Por conta do resultado do leilão, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) de um dia negociados no mercado futuro, que ficaram pressionados durante a manhã por causa da oferta de prefixados do início da tarde, devolveram os prêmios e encerraram o pregão em baixa. O motivo do alívio, segundo analistas, foram as declarações do secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall, ao jornalista João Caminoto, em Londres. Kawall afirmou, em entrevista ao jornalista João Caminoto, da Agência Estado, que a estratégia do Tesouro de trocar papéis pós-fixados por prefixados e títulos atrelados a índices de preços "não será executada a qualquer preço" e que a decisão de não oferecer LFTs nos leilões se restringe ao mês de maio. Quando Kawall se manifestou, as taxas de juro futuras - que balizam a definição das taxas pedidas nos leilões pelos papéis prefixados - estavam em alta e faltava pouco mais de meia hora para as instituições entregarem suas propostas. Segundo profissionais, as afirmações do secretário deixaram o mercado mais confortável para comprar os títulos ofertados, o que garantiu boa demanda. Ontem o Tesouro conseguiu vender integralmente os lotes ofertados de LTN e NTN-B, pagando taxas ligeiramente abaixo dos consensos de mercado. No caso do leilão de NTN-F, o Tesouro vendeu integralmente a oferta mais curta, de 500 mil títulos, mas colocou apenas 100 mil dos 300 mil títulos ofertados com vencimento em 1º de janeiro de 2012. Agora, o próximo evento considerado relevante pelo mercados de juros é a ata do Copom que sai na quinta-feira. Profissionais esperam encontrar no documento alguma explicação para a mudança no comunicado da última reunião do Comitê. Em outras palavras, o que investidores precisam saber é se essa alteração do comunicado significa alguma mudança também no ritmo de corte da taxa Selic.

Agencia Estado,

26 Abril 2006 | 07h00

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