Leilão de venda de fatia na Casan fracassa

O leilão eletrônico de venda da participação da Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) na Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan), realizado hoje, atraiu apenas duas ofertas de compra de 6 mil ações ordinárias e 6 mil preferenciais, ao passo que os lotes disponíveis eram de 55 milhões de papéis de cada tipo. O diretor econômico-financeiro da Celesc, Gérson Berti, disse que a empresa fará uma nova tentativa de venda de 19% no capital da Casan e estuda atrativos para despertar interesse de investidores. "Vamos tentar outras vezes e estamos analisando outras formas de pagamento", afirmou. Uma opção poderá ser o uso de créditos de ICMS no pagamento dos papéis. A Celesc poderia usar os créditos para pagar o tributo devido. Além do risco envolvido no setor de saneamento, outra dificuldade do leilão foi o momento por que passa a Bovespa, que Berti considerou como "muito vendedora". Quando a venda foi programada, o cenário era diferente, comparou o executivo. Outra particularidade é que neste tipo de operação o ofertante não pode fazer "esforço de venda", de acordo com a legislação do mercado, ressaltou Berti. A divulgação cabe à Bovespa, que informa as corretoras associadas. A venda da Casan já teve uma tentativa anterior frustrada. A alienação faz parte das medidas de reestruturação da concessionária, que recebeu prazo até o final de junho para completar a separação de atividades. A Celesc pediu à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para esticar este limite. A Agência informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o pedido está sob análise da área técnica. A lei 10.848/05 prevê, no artigo 20, a possibilidade de apenas uma prorrogação, que já foi usada pela Celesc, embora não no limite do tempo previsto por esta regra, que é de 18 meses. Berti disse que a Celesc havia solicitado os 18 meses, mas recebeu apenas a metade, prazo que vence agora. Além da venda da fatia na Casan, a venda de suas 12 Pequenas Centrais Hidrelétricas também faz parte das ações de desverticalização. Até 30 de junho, a Celesc considera inviável completar esta operação. A empresa argumenta que a própria Aneel foi responsável por parte da demora. "A Aneel constatará nosso esforço para cumprir a legislação", previu o diretor, completando que a Agência demorou a responder questões formuladas pela Celesc sobre o prazo de concessão das usinas que serão negociadas. Como ainda estará dentro do prazo limite - se ele não for modificado até lá -, a Celesc avalia que poderá participar do leilão de energia nova marcado para 29 de junho.

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