Leilão surpresa faz efeito e dólar sobe para R$ 1,678

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar à vista subiu 0,44% para R$ 1,677

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

27 de janeiro de 2011 | 17h26

O mercado cambial foi pego de surpresa hoje com um leilão de swap cambial reverso - o quarto em menos de duas semanas - e reagiu imediatamente ao anúncio do Banco Central. Esse tipo de leilão equivale à compra de dólares no mercado futuro. Desta vez, a autoridade monetária divulgou a operação pela manhã e o realizou logo em seguida. Antes, o BC anunciava o leilão na véspera. Foi justamente o "efeito surpresa" que inverteu a trajetória de queda do dólar ante o real verificada logo após a abertura dos negócios no mercado interbancário de câmbio, quando a moeda norte-americana bateu a mínima de R$ 1,662 (-0,42%).

À tarde, no fechamento da negociações, o dólar comercial registrou alta de 0,54%, encerrando o dia cotado a R$ 1,678. A taxa máxima do dia foi de R$ 1,68 (+0,66%). No acumulado do mês e do ano, o dólar comercial registra alta de 0,84%. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar à vista subiu 0,44% para R$ 1,677. O euro comercial teve ganho de 0,92% no dia e fechou a R$ 2,30. No câmbio turismo, o dólar subiu 0,74% para R$ 1,773 (venda) e R$ 1,68 (compra). O euro turismo foi cotado em média a R$ 2,41 (venda) e R$ 2,25 (compra), alta de 1,99% no dia.

Mais do que o leilão de swap reverso do BC, deu força ao dólar o efeito surpresa. Tanto que a moeda subiu mesmo com o BC não conseguindo negociar todos os contratos oferecidos hoje. A autoridade monetária já tinha comprado quase US$ 3 bilhões nesse tipo de operação e a demanda foi forte nos últimos três leilões de swap cambial reverso. "Hoje isso não ocorreu. Talvez, por ter sido surpresa, o mercado não teve tempo de pensar em estratégias para casar posições", analisa um operador. "Mas o dólar inverteu o rumo justamente por essa surpresa", acredita.

Dos 20 mil contratos ofertados, foram vendidos 10.200 com três diferentes vencimentos. Ao todo, a oferta somou US$ 503,6 milhões, praticamente a metade do total ofertado, que era de US$ 1 bilhão.

O Banco Central também atuou no mercado à vista com dois leilões de compra de dólares. No primeiro, logo após o meio-dia, a taxa de corte das propostas foi de R$ 1,669. No segundo, já na hora final do pregão, o valor do corte foi mais alto, de R$ 1,677.

O mercado local também teve ajuda do exterior hoje, onde o dólar ganha terreno em relação a boa parte das moedas fortes, incluindo o iene. O rebaixamento do rating do Japão pela agência de classificação de risco Standard & Poor''s (S&P) explica parte desse quadro.

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