Levy diz que governo não vai manter câmbio artificialmente valorizado

Levy diz que governo não vai manter câmbio artificialmente valorizado

Ministro também afirmou que a Taxa de Juros de Longo Prazo, usada nos empréstimos do BNDES, não terá mudanças abruptas

Francisco Carlos de Assis e Karla Spotorno, O Estado de S. Paulo

30 de janeiro de 2015 | 10h15

Atualizado às 13h

SÃO PAULO - "A economia (brasileira) tem funcionado mais por conta própria do que com apoio do governo." A frase poderia ter partido do meio empresarial. Mas foi dita nesta sexta-feira, 30, pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em evento para clientes e investidores do grupo Bradesco em São Paulo.

O ministro mencionou a questão cambial ao responder pergunta de economista do Bradesco sobre como o governo planeja contribuir para a indústria brasileira, especialmente a que exporta, conseguir se reerguer. Levy afirmou que o câmbio é uma variável que não se pode controlar com facilidade e afirmou não ter a intenção de manter o câmbio "artificialmente valorizado". "Não faremos grandes operações no câmbio", disse.

Nesse contexto, Levy afirmou que o empresariado não deve contar com medidas do governo no câmbio para ganhar competitividade. A respeito das contribuições do governo, o titular da Fazenda afirmou que o governo vai "focar muito" na infraestrutura, na área de portos. O dólar à vista no balcão, que já tinha aberto o dia em alta, ampliou a valorização após as declarações do ministro. Às 13h, a moeda subia 2,49%, aos R$ 2,673.

TJLP. Levy afirmou ainda que o governo não pode fazer nenhuma mudança abrupta na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) - que está presente em diversos contratos, especialmente em programas subvencionados do governo federal através do BNDES. 

Dito isso, Levy explicou que está em análise uma mudança na TJLP. O ministro afirma que a alteração é necessária dada a discrepância entre essa taxa - desde dezembro, estabelecida em 5,5% ao ano - e a taxa básica de juros, a Selic - desde a semana passada, em 12,25% ao ano. Levy argumentou que não pode haver essa grande dualidade no mercado. 

Segundo o governo, o estoque de contratos de financiamento não é afetado por mudanças na taxa de longo prazo. Ou seja, a taxa da TJLP presente nos contratos antigos será respeitada. Levy afirmou ainda que, à medida que a sociedade e o empresariado tiverem consciência do resultado fiscal e também da tendência sobre a inflação, o crédito voltará ao mercado. 

Falando em um contexto sobre a relação entre confiança e disposição para investimentos, o ministro afirmou que "as PPPs (parcerias público-privadas) crescem à medida que se tem confiança no longo prazo". Sobre o esforço fiscal capitaneado por sua equipe, Levy afirmou que antes de impor novos impostos, o governo tratará de reduzir despesas. "Nosso objetivo é cortar gastos antes de começar a pensar em novos impostos", afirmou Levy.

Transição. No início de sua fala, Levy disse que a economia mundial vive um momento de transição. "Muitas medidas adotadas após a crise de 2008 estão sendo desfeitas", comentou, citando o crescimento do déficit norte-americano e a mudança na política monetária nos Estados Unidos. Outra mudança no ambiente global foi o "boom" das commodities que, em um primeiro momento, favoreceu o Brasil, mas depois de um tempo criou desequilíbrios para o Brasil.

Levy lembrou que, no auge da crise financeira global, o governo brasileiro conseguiu fazer uma política anticíclica e acumular reservas. "Naquele momento, nós tínhamos estabilizadores, mas eles se esgotaram com o tempo. Isso exige uma reorientação da economia", afirmou o ministro.

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