Libor-dólar fica acima de 0,5% pela 1ª vez desde julho

O custo de empréstimos em dólar para três meses subiu para o nível mais alto desde julho do ano passado nesta segunda-feira, e analistas dizem que a Libor vai permanecer em níveis elevados no curto prazo, por causa da crise da dívida soberana da zona do euro, que incentivou a demanda por dólares e aumentou as preocupações sobre a situação dos balanços patrimoniais dos bancos.

Álvaro Campos, da Agência Estado,

24 de maio de 2010 | 14h58

Os dados da Associação Britânica dos Banqueiros mostram que a taxa London Interbank Offered Rate (Libor) em dólar para três meses subiu para 0,50969%, em comparação com os 0,49688% de sexta-feira, enquanto a Libor em libra britânica também subiu, para 0,70188%, de 0,70000%. A taxa em euro caiu para 0,63438%, de 0,63625% na sexta-feira.

A fixação da taxa Libor em dólar ficou acima de 0,5% pela primeira vez em quase dez meses e, enquanto as taxas do mercado monetário não subiram para os níveis vistos durante os dias da crise financeira global, tem havido sinais de desconforto. A ansiedade dos investidores foi reforçada depois que o banco central da Espanha teve de assumir o controle de um banco regional de poupança no fim de semana.

O spread entre a Libor em dólar de três meses e a taxa overnight index swaps (OIS), considerado um termômetro do estresse do mercado, subiu para 28,4 pontos-base nesta segunda-feira, de 26,6 pontos-base na sexta-feira. Os spreads futuros apontam para uma alta. O spread da Libor de três meses em relação à  Euro Overnight Index Average (Eonia, taxa de juro overnight média em euros, calculada diariamente pelo BCE), entretanto, caiu para 23,6 pontos-base, de 24,1 pontos-base.

"Os mercados monetários estão dizendo que, embora os bancos atualmente têm um colchão de liquidez, isso deve acabar em três meses", afirmou a Credit Agricole, no relatório de uma pesquisa.

A incerteza intensificada nos mercados financeiros globais tem levado os investidores a fugir para o porto seguro do dólar e tem deixado os bancos reticentes para emprestarem um para o outro, enfraquecendo os efeitos de uma sequência de medidas anunciadas por autoridades globais para acalmar os mercados no começo do mês.

A zona do euro e o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciaram um pacote de auxílio de 750 bilhões de euros para países da zona do euro que estão com uma situação fiscal complicada, e os principais bancos centrais concordaram em estabelecer linhas de swap em moeda estrangeira.

Os fundos dos mercados de capital nos Estados Unidos também se tornaram mais relutantes em deter commercial papers, uma importante fonte de financiamento para os bancos europeus.

A pressão também foi exacerbada por mudanças de regulamentação que passam a vigorar no final de maio e que limitam o prazo médio dos commercial papers que os fundos podem manter em seus portfólios. Trinta por cento dos ativos dos fundos precisam estar contidos em instrumentos que vencem em sete dias ou menos.

"Dado que bancos com classificação AA têm captado dinheiro sem garantia - na medida em que ele está disponível - nós esperamos que a Libor de três meses suba para 60 pontos-base dentro de uma semana ou duas", disse em um relatório Joseph Abate, um estrategista de renda fixa da Barclays Capital.

"Após isso, entretanto, os custos de financiamento vão depender se os mercados financeiros podem, com sucesso, forçar os bancos centrais a fornecer mais liquidez, quer seja em dólar quer em euro", comentou Abate.

No overnight, a Libor em dólar caiu para 0,29563%, de 0,29625% na sexta-feira. As taxas em libra britânica e em euro se mantiveram estáveis em relação aos níveis de sexta-feira, de 0,54750% e 0,27750% respectivamente. As informações são da Dow Jones.

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