Light reduz inadimplência para 4,5% da receita

O presidente da Light, José Luis Alqueres, informou hoje que a companhia conseguiu reduzir os níveis de inadimplência de 7% do faturamento para 4,5% nesses sete meses de nova administração. O executivo destacou, porém, que o nível atual está bem acima da média aceita pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que é de 1,5%. Segundo Alqueres, a melhoria no índice é fruto de um trabalho de conscientização das populações de baixa renda e de um foco mais forte sobre os grandes clientes e o poder público. "Temos confiança que nosso trabalho vai inverter as perdas, que desde a privatização vinham crescendo a uma taxa de 1 ponto porcentual ao ano. Acho que poderemos até reduzir em velocidade mais rápida do que essa", comentou.Ele disse que a empresa está investindo também para reduzir o porcentual de roubos e furtos de energia elétrica, em que a companhia fluminense apresenta um dos piores indicadores do País. Ele salientou, porém, que esse é um trabalho de longo prazo e que os investimentos feitos na área levarão pelo menos sete anos para apresentar resultados financeiros. "Para cada R$ 100 milhões de investimentos no ano, vamos recuperar apenas R$ 50 milhões no ano seguinte", afirmou.Alqueres disse que o poder público pagou recentemente R$ 420 milhões de uma dívida total de R$ 700 milhões. "O poder público precisa dar o exemplo. Assim ganhamos força na hora de cobrar de outros clientes", afirmou Alqueres, que participou da assinatura de um convênio entre a Light e a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) para incentivar a eficiência energética na indústria fluminense. "Pode parecer uma contradição apoiarmos a economia de energia. Mas queremos vender mais e melhor, o que significa que se os nossos clientes forem competitivos eles vão crescer e isso vai se traduzir em novos mercados para a empresa.Na sua apresentação, Alqueres fez um balanço da gestão da empresa desde que o consórcio Rio-Minas Energia comprou o controle da distribuidora da francesa EDF, em meados de 2006. Segundo ele, a empresa tem trabalhado para enxugar a estrutura de administração, além do combate à informalidade e motivar os funcionários. Outro ponto destacado foi a reestruturação da dívida, citando a emissão de R$ 1 bilhão em debêntures para reforçar o caixa e pagar praticamente todas as dívidas dolarizadas da companhia. Com isso, a Light se livrou de uma série de exigências de destinação da receita que eram feitas pelos antigos credores. Para os funcionários, a companhia instituiu compensações pelo desempenho de cada setor. Se as metas de Ebtida (geração de caixa), por exemplo, forem atingidas este ano, os empregados terão uma compensação de até seis salários, informou.Alqueres disse ainda que o governo do Estado do Rio deve trabalhar na redução da carga tributária sobre o consumo de energia, que hoje está cinco ou seis pontos porcentuais acima da média nacional. "O governo (estadual) vem sinalizando que vai mudar isso, depois que passar o primeiro momento de ajuste. É uma questão muito importante. Não podemos vender menos energia, temos que crescer", afirmou, referindo-se à redução de 0,5% nas vendas da Light durante o ano passado, provocada principalmente pela retração no setor industrial. Alqueres informou ainda que a empresa fez uma revisão de cerca de 20% dos contratos de aquisição de bens e serviços, obtendo economia de até 15% em alguns casos.

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