Liquidez e carência de gestores limitam avanço dos fundos long short

A liquidez ainda reduzida do mercado de ações brasileiro e a escassez de profissionais qualificados e com experiência na área de renda variável têm limitado o crescimento dos fundos que adotam a estratégia long short (arbitragem entre ações), segundo gestores e especialistas consultados pela Agência Estado. Atualmente, os recursos aplicados em carteiras dessa modalidade totalizam R$ 8,9 bilhões, em 54 produtos, de acordo com dados do site Fortuna, que acompanha a indústria de fundos. O forte crescimento fez com que a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) criasse, no ano passado, uma categoria específica para acompanhar os long short, classificados dentro da modalidade de multimercados. Na análise do diretor da Meta Asset Management, Alexandre Rezende, os fundos têm potencial de expansão ainda maior no País. ?Pelo menos 40% dos hedge funds (fundos de alto risco) internacionais adotam exclusivamente, ou de forma ampla, essa estratégia dentro da política de investimento?, observa. A trajetória de redução da taxa de juros e a esperada migração de recursos de aplicações de renda fixa para produtos com perfil de risco mais arrojado também beneficiam o segmento, diz Rezende. A redução na velocidade das captações desses fundos, após o forte crescimento nos últimos dois anos, é reflexo da escassez não da demanda, mas da oferta de produtos, de acordo com o executivo. ?Após atingir um determinado tamanho, muitos gestores optam por fechar as carteiras para novos recursos.? A Meta, por exemplo, deve fechar o fundo long short para captação quando o patrimônio, atualmente em R$ 140 milhões, atingir o patamar de R$ 200 milhões. Para o gestor da Neo Investimentos, Augusto Vieira, a falta de liquidez do mercado de aluguel aumenta o risco das operações dos fundos long short. ?Quando encontramos papel para alugar, há pouca segurança em montar posições grandes, pois não sabemos se conseguiremos renová-las depois de 30 dias (prazo do aluguel)?, observa. Com patrimônio de R$ 240 milhões, a carteira da Neo está fechada para captações.

Agencia Estado,

13 Abril 2007 | 07h00

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