Lojas Americanas vence ranking Agência Estado Empresas de 2005

A Lojas Americanas, uma das mais tradicionais redes de varejo do País, driblou o desaquecimento do consumo de bens não-duráveis que marcou o ano de 2005 e proporcionou a seus acionistas retorno que garantiu o primeiro lugar no Ranking Agência Estado Empresas do período, feito em parceria com a Economática. A companhia, que já havia sido campeã em 2003, após um segundo lugar no ano anterior, terminou dezembro último valendo na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) o equivalente a 16 vezes seu patrimônio líquido. O desempenho garantiu, neste indicador (P/VPA), a segunda melhor posição entre as 151 empresas avaliadas no acompanhamento. Para o diretor-financeiro e de Relações com Investidores da Lojas Americanas, Roberto Martins, as boas colocações nas quatro últimas edições do ranking decorrem das mudanças de rumo adotadas a partir da reestruturação financeira de 2001, que permitiram uma trajetória ascendente dos resultados, desde então. Naquele ano, a ação da companhia valia R$ 2 e, recentemente, está na casa de R$ 80. Somente em 2005, o papel subiu 80%, ocupando o 15º lugar neste quesito do estudo. Outro destaque da campeã foi a variação do retorno sobre o patrimônio líquido (delta ROE), um indicador de rentabilidade. Neste item, a varejista conseguiu a sétima melhor colocação geral. Martins argumenta que o esforço da Lojas Americanas em elevar as vendas e reduzir despesas tem possibilitado a formação de caixa e a distribuição de proventos, que somaram R$ 60 milhões no ano passado. Isto associado ao baixo valor do patrimônio líquido, que foi de R$ 230 milhões no ano passado, resulta em índices expressivos. "Para o acionista é bom, pois a empresa tem um patrimônio pequeno, mas distribui valores significativos." Obter caixa para remunerar o investidor não foi problema em 2005, pois o lucro líquido somou R$ 176 milhões, o maior já registrado pela companhia. A associação com o Banco Itaú para a formação da financeira Taií, anunciada em meados de 2005, contribuiu ao gerar um ingresso de R$ 200 milhões. Na opinião do executivo, os investidores que apostam na Lojas Americanas levam em conta as projeções de longo prazo do negócio, fundamentadas em vários fatores. Um deles é o braço de comércio eletrônico, a Americanas.com, que avança mais do que o mercado. As vendas desta divisão cresceram 100% no ano passado frente a 2004 e passaram a responder por uma fatia maior das receitas totais, algo em torno de 23%, contra cerca de 15% no ano anterior. Os números já consideram o Shoptime, adquirido no segundo semestre e que introduziu a companhia em dois novos segmentos: televisão e catálogos, além de complementar a atuação na Internet. Simultaneamente, a empresa diz estar confiante na associação com o Banco Itaú para a comercialização de serviços financeiros. A estratégia inclui um cartão private label e outro, co-branded, com bandeiras Visa e Mastercard, além da comercialização de títulos de capitalização e seguros. Trata-se de um nicho para o qual o varejo despertou recentemente, atraindo a atenção dos bancos, pois as margens de lucro destas operações são consideradas altamente compensadoras. O potencial de retorno, segundo o diretor, pode ser dimensionado pelo volume diário de consumidores nas 200 lojas da rede, que chega a 1 milhão de pessoas. Além disso, a parceria tende a proporcionar melhora operacional com a redução das despesas financeiras. "O mercado possivelmente está considerando todos esses eventos", afirma. Outro destaque é o projeto de expansão das lojas tradicionais da rede. O plano é inaugurar no mínimo 35 novas unidades por ano. A marca foi cumprida em 2004 e 2005 e pode até ser superada este ano. Martins argumenta que, dos cerca de cinco mil municípios brasileiros, a Lojas Americanas está em apenas 70. O formato denominado express, de tamanho e sortimento menores, possibilitará a presença da marca em cidades que não comportariam uma unidade convencional e um crescimento mais acelerado. Lançado há dois anos, o modelo possui dez endereços em São Paulo e no Rio de Janeiro. Nos próximos anos as atenções estarão voltadas para a ocupação do Nordeste, mercado que tem sido visto com otimismo pelo varejo de forma geral e onde a presença da empresa ainda é tímida, com apenas dois pontos-de-venda. "Percebemos que até o interior da região é promissor", disse Martins. Ele defende que o Brasil tem potencial enorme para a Lojas Americanas e evita olhar para as projeções a respeito da evolução do Produto Interno Bruto (PIB), pois existem áreas no País em que o indicador nem é calculado. Os investimentos projetados para 2006 são de R$ 158 milhões. No final dos anos 90, o modelo da Americanas era alvo de prognósticos pessimistas a respeito da impossibilidade de sobrevivência do formato frente ao avanço dos hipermercados. Foi uma época em que, ao mesmo tempo em que grandes redes ampliavam seus investimentos no Brasil, tradicionais cadeias como Mappin e Mesbla fechavam suas portas. Para Martins, a persistência da empresa mesmo com um formato de varejo afetado pela concorrência é determinada pela gestão focada em resultados, principalmente depois de 2001. Por este motivo, a Lojas Americanas também não presta muita atenção aos eventos econômicos internos e externos nem olha o Brasil no curto prazo. "Uma companhia com 76 anos de vida já passou por muita coisa", justificou. Apesar de não estar em nenhum dos níveis de governança corporativa da Bovespa, o executivo avalia que as práticas da empresa conferem segurança aos investidores e ajuda a explicar o êxito das ações. Ele destaca a existência de um conselho fiscal, a presença de um acionista minoritário no conselho de administração e as reuniões constantes com investidores. Em média, são realizadas entre 100 e 120 visitas ou encontros por ano, com aplicadores brasileiros e estrangeiros.

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