Lojas Renner avança na Região Nordeste

O presidente da Lojas Renner, José Galló, está se dando ao luxo de dispensar supermodelos, como a brasileira Gisele Bündchen, estrela dos comerciais da concorrente C&A. "Não precisa de Gisele para vender muito", brinca Galló, que conversou com a reportagem do jornal O Estado de S.Paulo por telefone de Recife, onde a empresa inaugurou a 75ª loja da rede.Das 13 lojas que a empresa inaugura este ano, seis são no Nordeste, território até então desconhecido para a companhia gaúcha. "O plano inicial era abrir oito lojas em 2006, mas quando vimos as oportunidades no Nordeste resolvemos acelerar o ritmo", conta Gallo.Segundo dados do IBGE, o Nordeste é a região do País de maior crescimento do varejo. Além de concentrar 59% dos beneficiários do Bolsa-Família em todo o País, a região cresce com o turismo e a abertura de diversas indústrias, atraídas por incentivos fiscais. "A concorrência também é menor e o Nordeste tem mais propensão ao consumo do que o Sul. Os nordestinos são mais imediatistas, não pensam em poupar."Primeira empresa de capital pulverizado do País, a Renner caminha para um crescimento de 30% este ano, segundo previsão de analistas do mercado. O forte crescimento se explica pelas facilidades de pagamento. Desde o final do ano passado, os consumidores podem pagar suas compras em 8 vezes com juros de 4,9% ao mês no cartão Renner. Até então, era oferecido financiamento de 5 vezes sem juros. "O tíquete médio aumentou 50%", afirma a analista de consumo do Unibanco, Fanny Oreng.Movimento parecido ocorreu com a Riachuelo, um ano antes. No final de 2004, a Riachuelo ofereceu as mesmas condições de pagamento - e cresceu 37% em 2005. Em maior ou menor grau, concorrentes como C&A, Pernambucanas e Lojas Marisa também estão aproveitando essa tendência.Com a facilidade de parcelamento das compras, essas redes estão conseguindo ganhar mercado de pequenas confecções. Segundo estimativas do mercado, as cinco grandes redes detém apenas 9% do mercado de vestuário. "Há muito espaço para essas empresas crescerem. E elas têm uma grande vantagem competitiva que é o crédito", diz Oreng. "O consumidor de menor renda não gosta muito de bancos e se sente mais à vontade pegando financiamento direto das lojas."Com faturamento de R$ 1,5 bilhão no ano passado, a Renner pretende alcançar a marca de 120 a 130 lojas. A líder C&A tem 120 lojas.Além dos serviços financeiros - que este ano serão ampliados com a introdução de seguros - a Renner atribui seu forte crescimento à adoção de uma estratégia de segmentação de estilos dentro das lojas. Os estilos são definidos por atitude: jovem, contemporâneo, neotradicional, fashion e casual. Cada um com uma marca própria. "Cada consumidora encontra uma marca com a qual se identifica", explica Gallo.Esse conceito se estende para o marketing. "Nossos comerciais são coloquiais. A consumidora encontra na loja o que ela vê na televisão. Não precisa se identificar com modelos." A ausência de grandes cachês não significa economizar na propaganda. Na novela Belíssima, a personagem de Cláudia Raia era cliente cativa da Renner.Queridinha do mercado financeiro, Renner as ações da empresa se valorizarem 70% este ano. Mas o pioneirismo também traz problemas. Como 90% dos acionistas moram no exterior, a empresa tem dificuldades para realizar assembléias. "Geralmente são medidas de caráter jurídico, que não influenciam o dia-a-dia do negócio", diz Galló. Os transtornos causados - há duas semanas foi preciso adiar uma assembléia por falta de quórum - estão fazendo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) rever algumas regras.

Agencia Estado,

29 de setembro de 2006 | 08h32

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