Maioria das bolsas europeias fecha em queda

Incertezas em relação à capacidade de os líderes da zona do euro controlarem a crise da dívida soberana prevaleceram

Gabriel Bueno, da Agência Estado,

18 de novembro de 2011 | 16h09

Os principais índices das bolsas europeias fecharam em sua maioria em queda, pressionados pelos temores sobre a capacidade de os líderes da zona do euro controlarem a crise da dívida que representa um risco crescente para o setor bancário da região e da economia mundial.

O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em queda de 0,60%, para 232,56 pontos. Na semana, teve recuo de 3,5%. O índice chegou a subir rapidamente no meio do dia, com notícias de que uma proposta do Banco Central Europeu (BCE) para emprestar dinheiro ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que poderia ser usado para financiar ajuda estaria ganhando força. Um funcionário da zona do euro disse à agência Dow Jones que a Alemanha e o BCE ainda se opõem a isso, mas as discussões podem ser retomadas em breve, caso não haja outras alternativas.

O foco dos investidores nos últimos dois dias mudou dos crescentes yields (prêmios ao investidor) de títulos na periferia da zona do euro para os crescentes custos de financiamento em dólar dos países europeus, disse Steen Jakobsen, economista-chefe do Saxo Bank em Copenhagen. "O mercado interbancário continua a mostrar crescentes sinais de estresse, como consequência da crise na zona do euro. Enquanto as linhas normais de financiamento secam, aumentam as conversas de que os bancos centrais possam ser em breve forçados a coordenarem um apoio adicional à liquidez", afirmou Jane Foley, estrategista sênior de câmbio do Rabobank em Londres.

Entre os bancos, Lloyds perdeu 2% e HSBC recuou 0,7% em Londres, enquanto Deutsche Bank caiu 1,2% em Frankfurt.

Entre os principais índices da região, o DAX, da Bolsa de Frankfurt, teve queda de 0,85%, para 5.800,24 pontos, e na semana recuou 4,24%. Volkswagen caiu 1,9%, após a Suzuki informar que deseja encerrar uma parceria com a companhia alemã e comprar de volta a parcela da Volkswagen no negócio. SGL Carbon subiu 1,2%, depois de a BMW comprar uma fatia de 15,2% na companhia. Deutsche Boerse avançou 2,8% após enviar, junto com a Nyse, uma proposta à Comissão Europeia sugerindo a venda de ativos ante as preocupações antitrustes do órgão sobre a planejada fusão das duas companhias.

O índice CAC-40, da Bolsa de Paris, fechou em queda de 0,44%, em 2.997,01 pontos. Na semana, esse índice ficou em queda de 4,84%. Os bancos estiveram entre os principais perdedores, com Société Générale (-1,7%), BNP Paribas (-1,5%) e Crédit Agricole (-1,2%). Électricité de France (EDF) subiu 0,9%, após o diretor financeiro Thomas Piquemal dizer que a companhia renegociará uma proposta para tomar o controle da italiana Edison, se a reguladora do mercado italiano Consob forçar um preço mais alto. Alstom recuou 1,4%, após a Moody''s colocar o rating da empresa em revisão para possível rebaixamento.

Em Londres, o índice FTSE 100 caiu 1,11%, chegando aos 5.362,94 pontos, e na semana teve recuo de 3,29%.

Na contramão, o FTSE MIB, da Bolsa de Milão, fechou em alta de 0,23%, em 15.232,56 pontos, e na semana teve recuo de 3,46%. Um operador do mercado atribuiu a alta de hoje ao discurso do novo primeiro-ministro, Mario Monti, e à compra de bônus do país pelo Banco Central Europeu (BCE). Banca Popolare di Milano fechou em queda de 7%, enquanto Intesa Sanpaolo subiu 2,4%.

As ações da fabricante de produtos químicos Kemira Oyj recuaram mais de 13% em Helsinque. A companhia reduziu sua previsão para o ano, citando a demanda ruim e os preços mais altos de matérias-primas. As mineradoras também estiveram sob pressão, com as ações da BHP Billiton recuando 1,9% e Rio Tinto perdendo 1,4% em Londres.

Na Bolsa de Madri, o índice Ibex 35 teve alta de 0,48%, para 8.310,10 pontos. Na semana, o índice da bolsa espanhola ficou em -2,88%. O avanço no dia foi impulsionado pela notícia de que o BCE comprou bônus do país. O spread entre os bônus de 10 anos da Espanha e os similares alemães superou 500 pontos-base nesta manhã pela primeira vez desde 1997.

"O foco no fim de semana será no resultado da eleição geral na Espanha no domingo. Mesmo que a centro-direita deve ser vitoriosa, possivelmente com vantagem, temos dúvidas de que isso restaurará a necessária estabilidade dos mercados espanhóis", disse Chris Scicluna, economista da Daiwa Capital Markets.

Em Portugal, o índice PSI 20 ficou praticamente estável, fechando em alta de 0,03%, em 5.442,08 pontos, e na semana teve recuo de 2,52%. As informações são da Dow Jones.

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