Mais da metade dos consumidores compra produtos piratas

A ascensão das faixas de renda mais baixas às classes de poder aquisitivo mais elevado, na prática, não mudou hábitos de consumo

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

19 de setembro de 2011 | 16h02

A procura por produtos piradas aumentou este ano. Em um universo de mil entrevistados em nove regiões metropolitanas do País pela Fecomércio-RJ/Ipsos em agosto, 52% dos pesquisados informaram ter comprado ou consumido algum produto pirata em 2011. Este porcentual ficou acima do apurado em agosto do ano passado (48%) e foi o maior desde o início da pesquisa em 2006. O motivo apontado por 94% dos entrevistados que admitiram consumo de produto pirata foi preço mais barato, de acordo com o economista da Fecomércio-RJ Christian Travassos.

Segundo Travassos, foi a primeira vez que o levantamento, anual, apurou mais da metade dos pesquisados admitindo compra de itens piratas. "Estamos com mercado interno muito aquecido. E este consumo não abrange somente produtos legais", afirmou.

Na avaliação do especialista, a ascensão das faixas de renda mais baixas às classes de poder aquisitivo mais elevado, na prática, não mudou hábitos de consumo. Portanto, o mesmo consumidor que antes comprava produtos piratas por serem mais baratos continua com a mesma postura; mas desta vez, com mais poder de compra.

Isso pode ser confirmado nos dados do levantamento dividido por faixas de renda. Entre os consumidores das classes A e B consultadas, 57% admitiram compra de produto pirata este ano - sendo que este porcentual, para esta mesma resposta nestas duas classes, era de 47% em agosto do ano passado. Entre os produtos mais procurados estão CDs e DVDs, respectivamente lembrados por 81% e 76% dos entrevistados este ano.

Para Travassos, os porcentuais de uso de produtos piratas podem continuar crescendo nas próximas apurações. "Precisamos atacar este problema em duas frentes: desoneração tributária e maior rigidez no combate à comercialização ilegal", afirmou o especialista.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.