Mantega culpa juro alto por resultado fiscal ruim

Seca e crise internacional foram outros fatores que prejudicaram resultado; para ministro, sucessor terá como desafio enfrentar a transição de uma política anticíclica para um novo ciclo de expansão

RICARDO LEOPOLDO E FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, Estadão Conteúdo

07 de novembro de 2014 | 11h04

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta sexta-feira, 7, que o juro da dívida encontra-se em um patamar elevado e que isso acaba pressionando a política fiscal. De acordo com ele, isso ocorre porque a taxa de juro no Brasil costuma ficar em patamar mais elevado em relação ao padrão internacional.

Mantega falou que há muita confusão e mal entendidos em relação à politica fiscal no Brasil. E prometeu desfazer um pouco da confusão. "Minha avaliação terá um viés mas otimista porque eu sou responsável por essa política há 12 anos", disse.

O ministro voltou a apontar a crise internacional como problema para o desempenho da economia ao afirmar que o governo reduziu impostos para investimento e consumo de bens duráveis. Mas antes de 2008, de acordo com ele, a situação fiscal era confortável e seguia o bom desempenho da economia. Isso significava, de acordo com ministro, maior arrecadação.

Foi nesse período, de acordo com ele, que ocorreu o forte processo de formalização do mercado de trabalho brasileiro. "Nós aperfeiçoamos os processos de controle da arrecadação. O resultado primário de 2000 a 2008 foi maior com uma taxa expressiva de primário, maior que na grande maioria dos países", disse.

Sucessor

O ministro disse que o principal desafio do próximo ministro da Fazenda será o de fazer a transição de um período de crise enfrentado com políticas anticíclicas para um novo ciclo de expansão econômica. Ele evitou comentar os nomes que estão sendo cotados para a Fazenda. "A minha fonte é a presidente Dilma e ela não anunciou nenhum nome até agora", disse Mantega ao ser provocado pelos jornalistas a comentar os nomes ventilados para substituí-lo. Mantega participa na manhã desta sexta-feira, 7, do Encontro de Política Fiscal 2014 promovido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo.

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