Mantega nega medidas 'mágicas' para alterar tendência do câmbio

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo não tem como impedir a valorização do real e descartou a adoção de "medidas mágicas" para alterar a tendência da taxa do dólar. Ele voltou a dizer que está preocupado com os reflexos do câmbio em alguns setores da economia, em particular a indústria de transformação, mas atribuiu a valorização do real ao fortalecimento da economia brasileira. "O fato de eu estar preocupado não quer dizer que tenhamos medidas mágicas para resolver isso", afirmou Mantega, após reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN). No dia anterior, o ministro já havia manifestado preocupação com a situação da indústria e sinalizado que o governo pode reduzir tributos ou adotar outros estímulos ao setor. Esse segmento, destacou ele, seria um dos mais prejudicados pelo câmbio. Apesar da revisão, para cima, dos números do Produto Interno Bruto (PIB) a partir da nova metodologia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a indústria de transformação cresceu só 1,6% em 2006. Mantega disse que, apesar de preocupado, "tem consciência" de que a valorização do real decorre das boas condições da economia brasileira. Fechamento Ontem, o dólar comercial fechou no menor nível desde março de 2001 e ficou mais próximo da barreira dos R$ 2,00. Apesar da forte atuação do Banco Central (BC) na compra de divisas, a moeda americana terminou cotada por R$ 2,044, com queda de 1,21% - o que representa um terço da desvalorização ocorrida no mês de março, de 3,63%. No ano, o dólar já acumula perda de 4,31%. O Risco Brasil, que é a taxa que mede a desconfiança do investidor estrangeiro na capacidade de pagamento da dívida do país, também manteve o movimento de queda e bateu novo recorde de baixa, em 169 pontos. Vários fatores contribuíram para o otimismo no mercado financeiro. Um deles veio do cenário internacional, com as boas notícias referentes à economia dos Estados Unidos. Além do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre de 2006 ter sido revisado para cima, o recuo de números relacionados ao seguro desemprego animou os investidores. No Brasil, a euforia quanto à melhora de indicadores de solvência externa também por causa da revisão do crescimento econômico continua a surtir efeito positivo no mercado. Outro fator que elevou o bom humor foram as informações sobre as contas do setor público federal. Segundo o Banco Central, o superávit primário de fevereiro (de R$ 6,679 bilhões) foi o melhor para o mês desde 2003. Isso indica uma economia do governo brasileiro, que está arrecadando mais do que gastando, avaliam analistas . O BC também projetou que a dívida líquida do setor público pode fechar 2007 em 44,1% do PIB.

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