Mantega ofusca ação do BC e dólar encosta em R$ 2,40

O Banco Central (BC) tentou puxar o dólar para um lado, mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, empurrou a divisa para outro. Os comentários de Mantega, no início da tarde desta sexta-feira, 16, coincidiram com o segundo leilão de swap cambial feito pelo BC, que tentava conter a aceleração da moeda norte-americana. Ao dizer que "o câmbio atual é bem visto para a indústria" e que "o novo câmbio torna o setor produtivo brasileiro mais competitivo", o ministro ofuscou a atuação do BC. Com isso, o dólar chegou a se aproximar dos R$ 2,40, para depois encerrar com uma arrancada de 2,09%, cotado a R$ 2,3920. É o maior patamar de fechamento desde 3 de março de 2009, quando marcou R$ 2,4120. Na semana, acumula valorização de 5,28% ante o real.

FABRÍCIO DE CASTRO, Agencia Estado

16 de agosto de 2013 | 21h39

A moeda dos EUA permaneceu em alta durante todo o dia, apesar de o BC, na noite passada, comunicar a rolagem de contratos de swap que vencem em setembro a partir desta sessão. Foi uma indicação de que a autoridade monetária fará, até o fim do mês, de forma mais sistemática, leilões de swap, que também correspondem à oferta de divisas no mercado futuro.

Neste pregão, foram dois leilões. No primeiro, o BC vendeu os 20 mil contratos oferecidos (US$ 989 milhões). À tarde, a cotação continuava a subir firme, o que fez o BC convocar o segundo leilão de swap, desta vez, de 40 mil contratos. Neste caso, a autoridade monetária vendeu 21.600 contratos, ou US$ 1,075 bilhão. Vale lembrar que o BC havia informado na véspera que, além da rolagem, continuaria com "a política de intervenções pontuais no mercado futuro de câmbio".

Mantega, contudo, não ajudou. Operadores disseram que, embora a tendência para a moeda norte-americana fosse de alta, a fala do ministro, no momento do segundo leilão, foi interpretada como "aprovação" para um patamar acima de R$ 2,30. "Os comentários do ministro foram fora de hora", disse um profissional da mesa de câmbio de um banco. "Mantega desandou tudo", acrescentou outro analista.

O mercado de títulos dos EUA também favorecia o avanço da moeda norte-americana, de acordo com o profissional do banco. As taxas dos Treasuries (títulos da dívida do Tesouro dos EUA) subiam, tornando o investimento mais atraente, em detrimento do Brasil, onde o cenário é de desconfiança. Para piorar, o profissional chamou a atenção para o repique no mercado de taxas futuras. "O dólar alto se reflete na alta dos juros", lembrou.

Analistas voltaram a citar a necessidade de o BC, para acalmar o mercado, usar um arsenal mais forte, como leilões no mercado à vista. "O real, e isso não é de hoje, é uma moeda de maior volatilidade", comentou Darwin Dib, economista-chefe da CM Capital Markets, para quem o BC deveria usar "mais força" para conter a elevação das cotações. Às 17h06, o dólar para setembro tinha alta de 2,15% no mercado futuro e valia R$ 2,4005.

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