Medial reforça segmento de saúde na Bolsa

O segmento de saúde na Bolsa de Valores de São Paulo deverá ganhar um reforço em breve, com o ingresso da Medial, operadora de planos de assistência médica, que pediu registro há poucos dias na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para a abertura de seu capital, embora não tenha informado se captará recursos por meio da emissão de ações ou debêntures. A Medial Saúde faz parte de um setor que está em fase de consolidação no Brasil e desenha sua expansão há pelo menos cinco anos, de acordo com a interpretação de informações colhidas no mercado. A companhia tem trazido para seus quadros figuras de peso do mercado financeiro e corporativo e dá mostras de que quer deixar a sexta colocação no ranking brasileiro de operadoras. Além dela, a OdontoPrev, de assistência odontológica, espera o aval da CVM para sua oferta de ações, o que mostra que a Bolsa pode estar de fato nos planos das empresas do setor. Quem deu o primeiro passo no mercado de capitais foi a rede de laboratórios Diagnósticos de América (Dasa), que estreou no final de 2004. Suas ações têm atraído investidores, mas vários analistas apontam as dificuldades de acompanhar o papel pelo fato de ser, por enquanto, a única do setor na Bolsa. Se lançar ações, a Medial poderá contribuir para agregar informações deste segmento e aumentar atenções para a Dasa. Os planos de saúde são a principal fonte de receita da rede de laboratórios: os cinco principais planos privados (em faturamento) representam aproximadamente 50% de sua receita operacional bruta. Apenas Sul América Serviços Médicos e Bradesco Seguros respondem cada uma por mais de 10%. A chegada dessas companhias coincide com uma fase de consolidação do setor de planos de saúde, após os esforços da Agência Nacional de Saúde (ANS) para estabelecer critérios mais rígidos na regulamentação. As operadoras com mais de 20 mil conveniados são obrigadas a apresentar balanço de resultados trimestrais e os dados são analisados por auditorias externas. Com isso, diversas pequenas empresas estão saindo do mercado e levando seus beneficiários a migrarem para outras. Ao mesmo tempo, mais pessoas começaram a recorrer ao atendimento privado em vez do sistema público, aumentando, portanto, o tamanho das participantes do sistema. Nos últimos cinco anos, o contingente de beneficiários de planos de saúde no Brasil saltou 19%, segundo dados da ANS. Este mercado é dominado por basicamente cinco empresas, que juntas são responsáveis por cerca de 6,5 milhões de vidas, de um total de 42,4 milhões de beneficiários que o Brasil contabilizou ao final de 2005. Na liderança está a Bradesco, com 2,5 milhões de pessoas, seguida pela Intermédica, com 1,8 milhão, a GEAP (Fundação de Seguridade Social), com 1,5 milhão, o Grupo Amil, que inclui Dix Amico, com 1,4 milhão e Sul América, também com 1,4 milhão. Na seqüência viria a Medial, com 840 mil, e um grande número de pequenas operadoras. Além da formação de grandes companhias, o setor de saúde está alterando também seu perfil de atuação, preferindo os planos corporativos aos particulares. Cada vez mais estas operadoras maiores se voltam a contratos com empresas. O objetivo é reduzir riscos e garantir rentabilidade. A Medial está neste grupo, pois tem 560 mil beneficiários de planos corporativos, por meio de 13 mil firmas conveniadas, e 280 mil individuais ou familiares. Em decorrência desta orientação, o que se vê hoje e possivelmente irá se acentuar no futuro é a concentração da atuação em regiões mais promissoras, como o Sul e Sudeste e principais capitais, onde estão o emprego formal e a renda. Outro vetor de crescimento será a expansão dos planos odontológicos, que já evoluíram muito nos últimos anos, mas apresentam claro potencial, daí a intenção da Odontoprev de buscar recursos no mercado de capitais para crescer. A Medial começou a estruturar seu plano de expansão há cerca de cinco anos, quando compôs seu conselho de administração, tendo à frente Luiz Kaufmann, profissional com passagem em cargos de comando dos setores financeiro, de papel e celulose, petroquímico, varejista e de telecomunicações. Em junho passado, o executivo foi transferido ao posto de presidente da companhia, mas ainda é membro dos conselhos de administração da Gol e da Vivo. Também no mês passado, dois outros nomes ingressaram no conselho: Geraldo Carbone, presidente do Bank Boston, e Fernando Tigre, que deixou a presidência da Kaiser. Eles estarão ao lado de Alcides Tápias, integrante do conselho desde 2004. Fazem parte do grupo também outros quatro acionistas, que, contudo, deixaram de participar do dia a dia dos negócios nos últimos anos: Samir Kalil e Geraldo Rocha Mello, fundadores, e Germano Rocha e Simone Schapira, herdeiros dos outros dois sócios fundadores. A transferência do executivo para o comando da empresa tem justamente o objetivo de prepará-la para a nova fase de crescimento. A Medial foi criada 42 anos atrás, a partir de um pronto socorro no bairro de Moema, em São Paulo, que depois se transformou em Casa de Saúde. Em 1967, surgiu a assistência médica Alvorada e em 1972 assumiu o nome Medial Saúde. Nos anos seguintes, foram adquiridos diversos hospitais. Hoje são três sob seu controle (Alvorada Moema, Alvorada Santo Amaro e Alvorada Centro de Reabilitação) e onze centros médicos resolutivos (consultórios com várias especialidades médicas e onde são realizados também vários tipos de exames), em São Paulo. Em 2005, o número de clientes cresceu 17,3% sobre 2004. A rede credenciada é formada por 15 mil consultórios médicos, laboratórios (algumas bandeiras da Dasa entre eles), hospitais e clínicas gerais e especializadas em 16 Estados. Embora a cobertura hoje esteja concentrada em São Paulo, os planos da empresa são aumentar a presença em outras regiões. No começo de maio, foi inaugurado o Pronto-Socorro Medial Saúde, em São Bernardo do Campo. E no segundo semestre deve inaugurar o primeiro hospital fora do Estado, no Distrito Federal. Com isso, considerando apenas a rede própria, contabilizará 508 leitos. De acordo com a classificação da Agência Nacional de Saúde (ANS), a Medial Saúde é uma empresa de medicina de grupo. Existem ainda outras sete modalidades de operadoras: administradoras, cooperativas médicas, cooperativas odontológicas, instituições filantrópicas, autogestões (patrocinadas e não patrocinadas), seguradoras especializadas em saúde (caso das seguradoras que eram de bancos e que tiveram que criar um negócio exclusivo por determinação do governo federal) e odontologia de grupo.

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