Megalivrarias avançam no País e viram alvo de aquisições

Em 60 dias, a Livraria Cultura deve abrir ao público a sua megaloja no Conjunto Nacional, em São Paulo. Serão três andares e 4,2 mil metros quadrados, uma área quatro vezes superior à média das grandes livrarias brasileiras e 30% maior que o das outras unidades da própria Cultura. O espaço terá também café e teatro para quase 200 pessoas. É um projeto ambicioso. A livraria, erguida no espaço onde funcionava um cinema, consumiu investimentos de R$ 5 milhões, integralmente tirados do caixa da companhia.A Livraria Cultura faturou R$ 150 milhões com seis lojas em 2006. Neste ano, a empresa ainda pretende abrir sua primeira unidade numa cidade do interior. Para 2008, estão previstas duas inaugurações. ?É mais difícil conseguir gente para trabalhar na livraria que dinheiro para abrir loja?, diz o presidente da Livraria Cultura, Pedro Herz. ?A cada 40 candidatos, só um passa nos testes.?O sucesso do modelo - uma combinação de vendedores bem preparados e um acervo de quase dois milhões de títulos - fez da Cultura um alvo cobiçado por fundos de investimento nos últimos tempos. ?Nós já fomos procurados algumas vezes, mas nunca negociamos nada. Para abrir uma ou duas lojas como fazemos hoje, não precisamos de sócio?, diz Herz. A Cultura tem planos de abrir o capital a partir de 2008.A despeito do consumo brasileiro per capita estar estacionado no patamar de um livro por ano - franceses e americanos compram pelo menos cinco vezes mais -, as maiores livrarias do País, como Saraiva, LaSelva, Nobel, Fnac e Leitura parecem viver em um universo à parte. CrescimentoNos últimos anos, elas cresceram acima de dois dígitos, abriram lojas grandes e modernas, iniciaram expansões geográficas para além de sua cidade de origem, compraram outras redes (caso recente da aquisição da Sodiler pela LaSelva) ou livrarias independentes. ?As livrarias brasileiras atingiram um padrão comparável ao das livrarias americanas, com a diferença do atendimento, que no Brasil é melhor que nos Estados Unidos?, diz o professor de Novos Negócios da FGV Eaesp, Francisco Guglielme Júnior.O embrião desse movimento foram as megalojas, que ampliaram o conceito de livraria para uma espécie de supermercado da cultura, onde há DVDs, CDs, papelaria, cafés, restaurante, poltronas para leitura, espaços para pequenos shows e noite de autógrafos. O modelo deu tão certo que hoje, em São Paulo, é difícil ver um novo shopping sem uma livraria como âncora. Não dá para ignorar também a importância da internet nesse processo. Ao mesmo tempo que representa uma ameaça, a web tornou-se uma oportunidade de aumentar as vendas das livrarias. Ao abrirem seus próprios sites, as redes conseguem se aproximar dos clientes. ?A internet estimula a venda por impulso e ainda é uma conexão direta com clientes de qualquer lugar do Brasil?, acredita Guglielme Júnior.A Saraiva foi a precursora desse ciclo de prosperidade, com a inauguração da primeira megaloja em 1996. A rede tem atualmente 16 lojas nesse formato. O site e as megalojas responderam em 2005 por 75% do faturamento da livraria. Ao contrário do que se imagina, não são apenas as vendas de outros produtos além de livros que sustentam o crescimento da rede. Segundo o superintendente da Saraiva, Marcílio Pousada, a receita no segmento de livros, jornais e revistas subiu 17,3% de janeiro a setembro de 2006. A Livraria Leitura, rede mineira com 30 lojas no País, seguiu o rastro da Saraiva e abriu sua primeira megaloja em 1998. Ela hoje tem nove lojas fora de Minas Gerais, sendo cinco em Brasília. ?Queremos ser líderes em Minas e no Centro-Oeste?, diz o diretor Marcus Teles. A livraria ampliou tanto o mix de produtos que apenas 50% do faturamento vêm da venda de livros. Numa de suas lojas, opera até um restaurante. O mercado estima que a rede fature cerca de R$ 100 milhões.Mas a maré não é boa para todos. A Siciliano, uma das mais tradicionais do País, foi recentemente posta à venda. No mercado, atribui-se a má fase a problemas de gestão e ao conflito entre os sócios: o fundo americano Darby, que controla o negócio, e a família Siciliano. A missão da venda foi dada à empresa de Luís Paulo Rosenberg. O negócio, que já foi oferecido às Lojas Americanas no passado, deve ser apresentado em breve a grupos concorrentes.

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