Melhora da atividade traz ajuste e juros sobem

Perspectiva positiva da economia doméstica prevalece sobre piora da aversão ao risco no exterior e ajuda na alta

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

20 de agosto de 2012 | 16h54

A despeito da relativa aversão ao risco que prevaleceu no exterior, as taxas futuras de juros passaram por um movimento de alta, sobretudo nos vencimentos intermediários e longos, que foi atribuído ao conjunto de sinais da melhora da economia doméstica e ao ajuste de carteiras em função dessa mudança de cenário. Nesta segunda-feira a prévia do IGP-M, a segunda do mês, veio levemente acima da mediana encontrada pelo AE Projeções e houve nova piora das estimativas para o IPCA na Focus. Além disso, a sondagem da Fundação Getúlio Vargas para a indústria apontou melhora da confiança e da utilização da capacidade instalada, o que somou-se aos dados mais positivos do varejo na última semana e ampliou a percepção de que a economia mostra sinais de recuperação.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 (328.240 contratos) estava em 7,31%, de 7,28% no ajuste de sexta-feira. Já a taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2014 (202.160 contratos) marcava 7,92%, de 7,86% na sexta-feira. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (53.765 contratos) subia para 9,36%, de 9,24% no ajuste, enquanto o DI janeiro de 2021, com giro de 2.385 contratos, avançava para 9,99%, de 9,86% na sexta-feira.

Logo cedo, os investidores se depararam com a taxa de 1,38% da segunda prévia do IGP-M, ante mediana projetada de 1,33%. O resultado foi o maior desde julho de 2008 (+1,79%). A piora do quadro inflacionário veio acompanhada pelo Índice de Confiança da Indústria (ICI) apurado na prévia da Sondagem da Indústria de agosto e que teve um aumento de 1,5% ante julho, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) atingiu 84% em agosto, ante 83,7% registrados em julho, superando a média dos cinco anos. Comentando o dado, a FGV ressaltou, porém, que a melhora não é disseminada.

Junto com os sinais de retomada há uma piora na percepção sobre o comportamento dos preços. Na pesquisa Focus, o mercado financeiro elevou a projeção de inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2012 pela sexta semana seguida, de 5,11% para 5,15%. Para 2013, a estimativa se manteve em 5,50% pela oitava semana. Por outro lado, caiu a estimativa para a Selic em 2013, de 8,50% para 8,38%, ao passo que a projeção para 2012 se manteve inalterada em 7,25%. Por fim, a pesquisa Focus trouxe manutenção da previsão de expansão de 4% do PIB de 2013, mas revisões em baixa do prognóstico do crescimento deste ano (que caiu de 1,81% para 1,75%).

No exterior, os negócios começaram o dia melhores, sustentados por rumores de que o Banco Central Europeu (BCE) poderia impedir as taxas dos títulos de países fiscalmente debilitados da zona do euro de subirem além de certos níveis em uma tentativa de reduzir a tensão nos mercados de dívida. Isso fez os yields (retorno ao investidor) dos bônus da Itália e da Espanha caírem para o patamar mais baixo em um mês e meio. No entanto, o pessimismo voltou às mesas quando o Ministério da Economia da Alemanha classificou suposta ideia do BCE como "muito problemática".

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