Menor IPI terá impacto maior na autoconstrução

A redução da alíquota de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre 41 tipos de material de construção, anunciada pelo Ministério da Fazenda, terá maior impacto no bolso do consumidor final do que nas contas de construtoras e incorporadoras. Para essas empresas, segundo cálculos do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), a redução no custo das obras, a partir da desoneração, será de 1,2%. Para o consumidor final dos materiais de construção, contudo, o desconto poderá ser maior à medida que a indústria repasse aos preços a nova carga tributária e não promova aumentos que anulem esse efeito. A expectativa da Associação Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção (Anamaco) é de um crescimento de 6,5% a 8,5% nas vendas neste ano. Boa parte da expansão, conforme o presidente da entidade, Cláudio Elias Conz, decorrerá justamente da desoneração de parte da cesta básica da construção. Na esteira do melhor desempenho do varejo, a indústria de materiais também deve ser beneficiada. A previsão é que a indústria reverta a tendência de recuo no faturamento que permeou seus negócios no ano passado e apure índices positivos no decorrer de 2006, uma vez que o consumidor final responde por nada menos que 70% das vendas. Na contramão da indústria, construtoras e incorporadoras não digeriram tão bem a medida, que também vai beneficiá-las. Conforme o SindusCon-SP, há o risco da redução de impostos facilitar ainda mais a vida das empresas informais, que hoje representam 65% das representantes do setor. O governo não atendeu alegando que, com a redução de impostos, o setor formal torna-se ainda mais competitivo frente aos informais. Crédito Portanto, não há motivos para limitar os efeitos da medida. Contudo, as entidades ajustaram o discurso no que diz respeito à disponibilidade de recursos para o financiamento de materiais de construção e quanto aos prazos e taxas exercidos nas linhas em atividade. Conforme as instituições, para trazer definitivamente o consumidor final ao varejo da construção e garantir a consolidação dos negócios do setor, é preciso criar condições melhores de financiamento. Esses fatores, que separam o consumidor e a indústria de materiais, foram comprovados por uma pesquisa da Talent, realizada junto a consumidores das classes B e C, residentes em São Paulo. Do total dos ouvidos, 81% conhecem ou já ouviram falar das linhas de crédito disponíveis no mercado e a maior parte apontou a burocracia como impedimento para contratação dos recursos. A facilidade de obtenção de crédito para aquisição de outros bens, como eletrodomésticos e eletrônicos, por exemplo, também é apontada pela indústria de materiais de construção como empecilho aos negócios do setor. Em sua argumentação, o diretor-superintendente da Abramat, Roberto Zullino, costuma frisar que antes de comprar cimento, piso ou tinta imobiliária, o consumidor empenha seu orçamento na aquisição do telefone celular pago em 10 vezes ou pelo eletrodoméstico financiado, por exemplo, na Casas Bahia. A pesquisa da Talent mesmo comprovou que a Casas Bahia é apontada como o "paraíso do crédito", um poderoso contraponto às exigências das instituições financeiras na hora da liberação do financiamento. Esse cenário já começou a mudar, uma vez que os bancos perceberam o potencial desse segmento e já tornaram público seu interesse em ampliar essas carteiras. Para que isso ocorra de fato, ainda há necessidade de revisão dos juros, dos prazos de pagamento e, é claro, do trâmite para aprovação do financiamento.

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