Mercado dá sinal de saturação de apetite por prefixados

O mercado de juros deu sinais de que a oferta consistente que o Tesouro vem fazendo de papéis prefixados e atrelados a índices de preço pode gerar uma certa indigestão. Nesta segunda-feira, os contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (Dis) de um dia passaram o dia em alta, sem acompanhar o alívio que os mercados tiveram no meio da tarde, pressionados pela expectativa do leilão de títulos públicos. A definição da oferta de títulos, segundo operadores, só consolidou o movimento de aumento das taxas de juros nos contratos. Desde fevereiro, o Tesouro Nacional não faz oferta de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), papéis pós-fixados, nos leilões tradicionais de títulos públicos. E já confirmou que manterá a estratégia no mês de maio. Essa decisão pretende reduzir a participação dos papéis pós-fixados no total da dívida, o que significaria uma melhora no perfil dessa dívida - quesito fundamental para que o País atinja atingir a classificação de investimento pelas agências de risco. Para rolar a dívida, o Tesouro ampliou as ofertas de Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B), papéis atrelados ao IPCA, de prazo mais longo, considerados atraentes especialmente perante os investidores estrangeiros -, além das prefixadas Letras do Tesouro Nacional e NTN-F. A estratégia foi comemorada e elogiada, já que o Tesouro conseguiu reduzir a participação das LFTs no total da dívida assim como ampliar o prazo médio dos papéis em poder do mercado. Agora, dizem operadores, começam a surgir os primeiros sinais de que o mercado pode estar ficando saturado. Na semana passada, o Tesouro não conseguiu colocar integralmente as ofertas de LTN e NTN-F, e pagou taxas mais altas pelos títulos vendidos. Operadores chamaram atenção, especificamente, para as NTN-Fs (papéis prefixados, que pagam cupom semestral e têm prazo mais longo que as LTN) com vencimento em 1/1/2010. O Tesouro ampliou, no leilão da semana passada, o tamanho do lote para 500 mil títulos e, para vendê-lo integralmente, pagou taxa média de 15,06%, acima do consenso de mercado, que havia ficado em 14,97% com 14,99%. "O Tesouro pode estar forçando a barra para conseguir cumprir seu objetivo de reduzir a participação dos pós-fixados", defende um operador. "A transição dos pós-fixados para os papéis prefixados e atrelados a índices de preço está acontecendo rápido demais, e por isso o mercado está ampliando os prêmios, tanto nos DIs como nos leilões", acrescenta. Nesta terça, o Tesouro vai ofertar ao mercado 1 milhão de LTN com vencimento em 1/1/2007; 3 milhões de LTN 1/10/2007; e 750 mil LTN 1/7/2008. No leilão de NTN-F, serão ofertados 500 mil títulos do vencimento 1/1/2010 e 300 mil do vencimento 1/1/2012. Nos dois casos, se os lotes forem vendidos integralmente, haverá segunda volta, com a oferta de 15%. Na primeira etapa do leilão de NTN-B (papéis indexados ao IPCA), serão ofertados até 500 mil títulos dos vencimentos 15/8/2008, 15/5/2009, 15/8/2010 e 15/5/2011. Na segunda etapa, na quarta-feira, a oferta será de até 1 milhão dos mesmos vencimentos. Em caso de segunda volta, a oferta será de 15%. Profissionais destacam ainda que, além do leilão, a expectativa pela ata do Copom, que sai na quinta-feira, também mantém o mercado mais cauteloso. "Todo mundo quer saber por que o Copom mudou o comunicado na última reunião", diz um operador. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), os DIs encerraram o pregão com as seguintes taxas: 14,69% para janeiro de 2008 (ante 14,60% na quinta-feira); 14,76% para janeiro de 2007 (14,72% na véspera); e 14,62% para janeiro de 2009 (14,47%).

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