Mercado de juros abre pressionado na BM&F

A Copa do Mundo começa hoje para o Brasil, mas o clima no mercado financeiro não tem nada de festa. Na abertura dos negócios do mercado eletrônico, o contrato futuro de juros de janeiro de 2008, o mais líquido na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), já estava em alta, a 16,10%. Ontem já fechou ruim, em 15,88%, preparando-se para o pior nesta terça-feira e o ajuste para a virada do dia ficou em 15,87%. O temor está atrelado à expectativa de que os dados de atividade e preço dos Estados Unidos mostrassem que o pouso da economia norte-americana será mais forçado do que o previsto inicialmente. Logo após o resultado das vendas do varejo de maio e da inflação no atacado (PPI) do mesmo mês, o DI de janeiro de 2008 subiu à máxima de 16,16% e oscilou por alguns minutos, escolhendo uma trajetória de desaceleração para prosseguir os negócios. Às 10h23, o contrato de janeiro de 2008 estava em 16,05%. Tudo indica que as divulgações desta manhã não definiram posições e que a ansiedade prosseguirá amanhã, quando sai o CPI (índice de preços ao consumidor) nos EUA, que dará mais a tendência do mercado. ?Não acredito que o mercado melhore muito hoje. Deve ficar o dia inteiro tenso?, disse um operador ouvido pela Agência Estado. De acordo com ele, a divulgação amanhã do CPI poderá gerar um ajuste ?bem alto, bem alto mesmo?, mas nem tanto a ponto de as taxas buscarem o patamar de 16,85%, atingido no último dia 24. Com uma possível escalada inflacionária nos EUA, o medo é de que a conseqüência seja um aperto maior nos juros por lá. O aumento da aversão ao risco e a redução da liquidez nos mercados mundiais causou uma queda generalizada esta manhã. Na Ásia, as bolsas fecharam em baixa, e os mercados emergentes voltaram a despencar momentos antes da divulgação nos EUA. As ações das maiores mineradoras também estão entre as mais abatidas pela correção que atinge as bolsas no mundo e os metais. Aqui, além do "efeito Copa", também o feriado de Corpus Christi na quinta-feira é motivo para que os negócios fiquem sem força. Tanto que na agenda doméstica apenas está prevista a divulgação da segunda quadrissemana do IPC-S de junho, na sexta. Pela manhã, a FGV anunciou que o IGP-M do primeiro decêndio apresentou alta de 0,27%, perto do teto das previsões do mercado colhidas pela Agência Estado (+0,28%).

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