Mercado de juros aguarda por ata do Copom

Investidores mantiveram cautela devido às apostas de um novo corte da taxa básica de juros por parte do Banco Central

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

25 de abril de 2012 | 16h56

Os investidores em juros futuros optaram pela cautela nas operações no trecho curto da curva a termo, uma vez que aguardam a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) de quinta-feira para definir suas apostas em relação aos próximos passos do BC. Por enquanto, os agentes precificam uma chance maior de a Selic ser reduzida em mais 0,5 ponto porcentual, para 8,5% ao ano. Nos vencimentos intermediários e longos de juros, contudo, prevalece o sinal de baixa, uma vez que possíveis alterações no rendimento da caderneta de poupança, por enquanto apenas no campo da especulação, abririam espaço para que o piso das taxas de juros no Brasil pudesse ser menor.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI para janeiro de 2013 (345.035 contratos) indicava 8,40%, ante 8,39% no ajuste de ontem. A taxa do contrato para janeiro de 2014 recuava a 8,83%, de 8,86% no ajuste, com giro de 280.945 contratos. Nos longos, o DI janeiro de 2017 (58.935 contratos) recuava a 9,97%, de 10,06% na véspera, enquanto o DI janeiro de 2021 (8.680 contratos) cedia a 10,51%, de 10,62% no ajuste.

A melhora do ambiente externo e alguns indicadores domésticos poderiam até sugerir um acúmulo de prêmios nos contratos de juros, mas as expectativas em relação à condução da política monetária limitam, por enquanto, qualquer movimento de alta. Hoje, por exemplo, o Banco Central informou que o estoque de crédito em março teve avanço de 1,7%. Além disso, esse movimento tem continuidade em abril, de alta de 1,6% até o dia 12.

Mas os rumores sobre alterações na poupança seguem fazendo preço nos negócios. Nesta manhã, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, alterou sua agenda para um encontro com a presidente Dilma Rousseff. Ontem, em resposta a uma questão sobre a poupança, a presidente respondeu: "Veremos, veremos. Cada dia com sua agonia". Ao entrar para o encontro, Mantega evitou responder perguntas sobre possíveis mudanças na rentabilidade da caderneta. Apenas recomendou que os aplicadores deveriam ficar tranquilos.

"Pela primeira vez uma fonte oficial do governo não negou, pura e simplesmente, uma mudança na poupança", comentou o gerente de renda fixa da Lerosa Investimentos, Carlos Fernando Vieira, em referência às declarações da presidente Dilma ontem.

Em relação à ata, o mercado quer ver o que o BC dirá no parágrafo 35 do documento. No texto do encontro anterior do Copom, esse parágrafo informava que "considerando os valores projetados para a inflação e o balanço de riscos associado, o Copom atribui elevada probabilidade à concretização de um cenário que contempla a taxa Selic se deslocando para patamares ligeiramente acima dos mínimos históricos, e nesses patamares se estabilizando". Como a Selic já está em 9% ao ano, ante o piso histórico de 8,75%, tudo indicava que a taxa atual seria mantida por algum tempo. Caso tenha mudado de opinião, o parágrafo também deve ser alterado, com uma possível justificativa.

Lá fora, as notícias foram mistas, mas o fato de o presidente do Fed, Ben Bernanke, ter reiterado que uma terceira rodada de relaxamento quantitativo (QE3, na sigla em inglês) não está fora da mesa de negociação, impulsionou os mercado.

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