Mercado de juros futuros abre em queda na BM&F

As projeções dos contratos de depósito interfinanceiro (DI) negociados no pregão da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) abriram em queda discreta, prosseguindo na tendência positiva, iniciada a partir da sinalização do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de que o próximo corte da taxa Selic pode ser maior. Às 10h10, o juro do contrato de DI de janeiro de 2007 estava em 15,07%, ante fechamento na sexta-feira a 15,11%. A taxa do DI de janeiro de 2008 estava em 14,58%, ante 14,59% registrado anteriormente. A pesquisa semanal Focus, divulgada esta manhã pelo Banco Central, agradou aos investidores, já que verificou-se queda na previsão de inflação para este ano na lista de instituições Top 5 (as cinco instituições que mais acertam suas projeções), de 4,50% para 4,39%, abaixo portanto do centro da meta para o ano (4,50%) determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O comunicado do Copom, divulgado na última quarta-feira, omitindo o trecho habitual sobre acompanhamento atento do cenário inflacionário, levou o mercado a ratificar que a inflação não é mais considerada um problema. Resta saber o que dirá a ata, a ser divulgada na próxima quinta-feira, principalmente sobre o motivo que levou três diretores do BC a votarem por uma queda maior da Selic (1 ponto porcentual) do que a efetivamente decidida (0,75 ponto porcentual). As possíveis razões para a divergência, citadas nas mesas de operações, são cenário externo - com a perspectiva de continuidade no aperto monetário nos Estados Unidos e na zona do euro e início do aperto no Japão - e atividade econômica - depois do fraco resultado da produção industrial. Inflação não está na lista, pelo menos do mercado, que considera que os índices estão bem-comportados, com a inflação dirigindo-se ao centro da meta fixada para o ano, de 4,5%. Declarações do presidente do BC, Henrique Meirelles, ontem à noite, na Basiléia (Suíça), dão uma pista de que a razão principal pode estar mesmo no cenário externo. Ele comentou que o período de extrema exuberância do mercado internacional para os papéis dos países emergentes pode estar acabando, o que "justifica a política prudente que o Brasil tem adotado". Já o secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, em entrevista publicada hoje na imprensa, considera que a preocupação com o aumento do salário mínimo acima da inflação, além do fato de o Orçamento ainda não ter sido aprovado, pode ter levado o Banco Central a limitar o corte da Selic em 0,75 ponto porcentual.

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