Mercado de juros mira Copom e encerra 'de lado'

Expectativa é de que o Banco Central reduza Selic em 0,75 ponto porcentual

Márcio Rodrigues. da Agência Estado,

18 de abril de 2012 | 16h49

A certeza de boa parte dos participantes do mercado de juros futuros no corte de 0,75 ponto porcentual da Selic nesta quarta-feira, para 9% ao ano, é tão grande que a preocupação gira em torno, sobretudo, do comunicado que sairá junto com a decisão. Com esse cenário na mesa e na ausência de indicadores relevantes, o movimento das taxas curtas e intermediárias foi marginal no pregão desta quarta-feira. O leve sinal de baixa em alguns vencimentos se justifica apenas pelo "hedge" feito por alguns investidores em virtude da possibilidade remota de alguma surpresa na redução do juro básico ou de o texto sobre a decisão trazer algum sinal de continuidade do afrouxamento no futuro.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI julho de 2012 indicava 8,735%, de 8,75%, com giro 200.905 contratos negociados. O contrato para janeiro de 2013 marcava 8,67%, nivelado ao ajuste e com movimento de 428.080 contratos. O DI janeiro de 2014 (345.045 contratos) apontava taxa de 9,10%, idêntica ao ajuste. Entre os vencimentos longos, o DI janeiro de 2017 (62.295 contratos) cedia para 10,20%, de 10,22% no ajuste, e o DI janeiro de 2021 (13.105 contratos) estava em 10,71%, de 10,72% na véspera.

Há três cenários vistos como possíveis pelo mercado para o comunicado desta quarta-feira do Comitê de Política Monetária (Copom). O primeiro, e também o menos considerado pelos agentes, é o de que a autoridade monetária corte a Selic em 0,75 pp e deixe claro que chegou ao fim o processo de afrouxamento. O segundo quadro considera um texto sem nenhum sinal por parte do BC, o que pode levar os investidores a acreditar que ainda possa haver algum resquício de redução no encontro de maio. Por fim, o BC pode dizer algo que sugira uma pausa, mas com a possibilidade de retomada do afrouxamento no segundo semestre.

Sobre o corte desta quarta-feira, não há muitas dúvidas também entre os economistas. Na pesquisa feita pelo AE Projeções com um total de 72 instituições, 70 estimam que a Selic sofrerá corte de 0,75 ponto porcentual.

Entre os indicadores desta quarta-feira, a segunda prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de abril apontou inflação de 0,71%, após ter registrado uma alta de 0,35% em igual prévia do mesmo indicador em março.

Ainda por aqui, a "pressão" do governo para que os bancos privados reduzam o custo do dinheiro alcançou algum resultado. Bradesco e Itaú Unibanco anunciaram nesta quarta-feira redução nos juros. Santander e HSBC também diminuíram as taxas para algumas modalidades de empréstimos nesta semana. As mudanças ocorrem após Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal iniciarem esse movimento.

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