Mercado de juros prevê taxa Selic de 14,75% ao ano

Os juros apresentam ligeira baixa nas projeções no início das negociações dos contratos futuros de DI (depósitos interfinanceiros) no pregão da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). O vencimento de janeiro de 2008, que é o mais negociado, projetava taxa de 14,78% ao ano às 10h20, ante o fechamento ontem a 14,80% ao ano. É quase uma estabilidade e não define uma tendência para o dia. Nos EUA, o tão aguardado índice de preços ao consumidor (CPI) de junho subiu 0,2%, dentro da previsão de mercado. Mas o núcleo do índice, que exclui os preços de energia e alimentos, subiu 0,3%, pouco acima das previsões de alta de 0,2%. A questão é que a variação anual do núcleo do CPI (2,6%) superou o teto da chamada zona de conforto do Fed (banco central americano), de 2%. Não foi exatamente uma boa notícia e implicou aceleração na alta dos juros dos títulos do Tesouro americano. Os mercados aguardam agora o depoimento do presidente do Fed, Ben Bernanke, às 11 horas (de Brasília), no Comitê de Bancos do Senado dos EUA, sobre as condições da economia e a política monetária do Fed. Este evento será decisivo para os rumos dos mercados no restante desta quarta-feira. Aqui no Brasil, para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que deverá ser anunciada hoje após o encerramento dos negócios, o mercado não espera nada de diferente de um corte de 0,50 ponto porcentual na taxa Selic, para 14,75% ao ano. É aposta praticamente consensual. De 61 instituições financeiras consultadas pela Agência Estado, 57 prevêem isso. Apenas quatro trabalham levando em conta uma redução de 0,25 ponto porcentual da Selic. Por isso, se esta última hipótese for confirmada, poderá ser considerada uma surpresa para o mercado. E implicaria fortes movimentos nos juros futuros, porque certamente seria vista como sinalização de que o processo de afrouxamento da política monetária (redução dos juros básicos) estaria próximo do fim. Em princípio, o que a maioria espera é que este degrau menor de corte (0,25 pp) só venha a ser decidido na reunião de agosto (embora já existam apostas de outro corte de 0,50 pp no mês que vem e mais uma redução em outubro). Quanto ao comunicado do Copom, a expectativa é de que seja uma repetição do anterior. Portanto, neutro. As novidades ou eventuais sinalizações dos próximos passos da política monetária viriam na ata da reunião, a ser divulgada no próximo dia 27. Divulgado hoje cedo, o IPC-Fipe da segunda quadrissemana de julho mostrou inflação de apenas 0,02%. O resultado ficou acima das expectativas dos analistas ouvidos pela Agência Estado, entre -0,13% e -0,03%. Mas ainda é mínimo e não altera em nada a expectativa do mercado para cortes seguidos de juros. Por sua vez, o IGP-10 de julho subiu 0,39%, ante alta de 0,57% em junho. O resultado veio dentro das previsões dos analistas do mercado financeiro ouvidos pela Agência Estado, de 0,26% a 0,65%, mas ficou abaixo da mediana (0,54%). O IGP-10 confirma a previsão dos analistas de que os IGPs seguirão em desaceleração. Isso alivia expectativas para a inflação do ano que vem.

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