Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Mercado define estratégias para semana após as eleições

Analistas explicam quais as melhores opções para os investidores após o primeiro turno da eleição presidencial; cresceu o otimismo do mercado em relação ao desempenho do Ibovespa na próxima semana

Fátima Laranjeira, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2018 | 04h00

A coluna perguntou esta semana aos analistas quais as melhores opções para os investidores após o primeiro turno da eleição presidencial, marcado para domingo, 7.

O analista da Lerosa, Vitor Suzaki, vê algumas opções de cenário para a próxima semana. Ele acredita que, se a eleição presidencial se definir no primeiro turno com vitória do candidato Jair Bolsonaro (PSL), o que ainda não está totalmente contemplado na Bolsa, possivelmente haverá um novo rali de alta, especialmente no chamado kit eleição: ações das estatais, do setor bancário e de varejistas.

Já com o pleito indo para o segundo turno, Suzaki vê duas opções: uma Bolsonaro passando com votação expressiva, o que pode levar a Bolsa a subir, mas em menor magnitude do que se ocorresse uma vitória em primeiro turno. “Já se eventualmente Bolsonaro e Haddad passarem ao segundo turno com pontuações próximas, isso indicaria um quadro mais equilibrado entre os dois. Com isso, teríamos maior cautela e apreensão na B3, com o mercado focando mais nas empresas exportadoras, com menor propensão às do kit eleição.”

Na visão do analista-chefe da Magliano, Sérgio Goldman, como ainda não é possível cravar se a eleição para presidente será concluída neste domingo, dia 7, a sugestão é montar uma carteira diversificada. “Sugerimos que os investidores tenham ações de empresas que devem ter desempenhos semelhantes, independentemente de quem vencerá as eleições. Dentre os papéis que possuem este perfil, eu mencionaria BB Seguridade, Ambev e ações dos bancos”, afirma.

Em sua carteira semanal, a Magliano trocou a Taesa pela BB Seguridade. “No curto prazo as ações podem se beneficiar do resultado da eleição presidencial. No médio prazo, a provável aprovação de uma reforma da Previdência deverá aumentar a demanda pelos seus produtos. Além disso, é boa pagadora de dividendos”, diz.

Com a indefinição, a Nova Futura Investimentos sugere uma estratégia mista. “Isso implica em uma cesta de ações parcialmente neutra e com potencial de ganhos em qualquer cenário”, afirma o analista Alexandre Faturi. Ele diz que os últimos pregões indicaram que empresas de utilidade pública e do setor bancário podem ter bons desempenhos se Bolsonaro ganhar. “Já com vitória do candidato Haddad, a melhor performance deverá ser de empresas mais sensíveis ao dólar.”

Outras corretoras optaram por mudanças pontuais na carteira visando ganhos com a estratégia. A Coinvalores tirou a Tupy ON e incluiu Gerdau PN. “Vislumbramos que a companhia deve divulgar bons resultados no terceiro trimestre”, diz a analista Sandra Peres salientando que a ação caiu 8% na última semana, abrindo oportunidade de entrada.

Já a Terra Investimentos incluiu Ultrapar, Klabin e Telefônica/Vivo. O analista Régis Chinchila lembra que as ações da Ultrapar acumulam queda de 50% no ano, refletindo preocupações com a perda de participação de mercado da sua distribuidora Ipiranga, mas que acredita em recuperação operacional.

Ele diz ainda que a Klabin tem apresentado desempenho acima do setor, pelo portfólio diversificado e flexibilidade entre mercado interno e exportações. E que a Vivo é beneficiada pela diversificação nas linhas onde atua. “Ela possui mais de 30% do mercado e tem apresentado, constantemente, melhora nesse número."

Otimismo com ações cresce às vésperas da eleição

Às vésperas da realização do primeiro turno da eleição presidencial, cresceu o otimismo do mercado em relação ao desempenho do Ibovespa na próxima semana, segundo o Termômetro Broadcast Bolsa, que tem por objetivo captar o sentimento de operadores, analistas e gestores para o comportamento do principal índice de ações brasileiro na semana seguinte.

Entre 28 respostas, 60,71% acreditam que a Bolsa fechará a semana que vem com ganhos; 17,86%, com estabilidade; e 21,43%, queda. Na pesquisa anterior, os que viam alta para as ações nesta semana eram 52,78%; estabilidade para 22,22%; e baixa para 25,00%. A Bolsa apurou avanço semanal de 3,75%.

Os mercados já reabrirão na segunda-feira refletindo o resultado das eleições do domingo no Brasil, avaliando não somente o desempenho dos candidatos a presidente, mas também a composição do Congresso, que será um termômetro da força que o Executivo terá para aprovar as reformas partir de 2019. Na corrida presidencial, um segundo turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) está precificado nos ativos financeiros, e o mercado tende a reagir fortemente a qualquer resultado diferente, como um eventual desfecho da eleição ainda no primeiro turno.

Outro ponto de atenção estará sobre no mapa de apoios para o segundo turno dos candidatos derrotados no primeiro turno.

A semana será mais curta tanto aqui quanto no exterior. Na segunda-feira, os Estados Unidos celebram o Dia de Colombo e, por isso, os mercados em Wall Street não funcionam. No Brasil, na sexta-feira será feriado nacional em homenagem a Nossa Senhora Aparecida.

Na agenda de indicadores e eventos, os destaques são os dados de inflação norte-americanos de setembro na quarta e na quinta-feira, e a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) referente a agosto, quinta.

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