Mercado diverge sobre tendência para o câmbio

As projeções sobre a tendência de curto e médio prazo para o dólar revelam uma divergência que há tempos não se via no mercado financeiro. Há quem acredite que o dólar encontrou um patamar de relativa estabilidade, há quem aposte que a moeda norte-americana ainda tem espaço para quedas adicionais e existe também, embora em um grupo bastante reduzido, quem projete que a trajetória do dólar daqui para frente é para cima, ainda que gradualmente. Para piorar, o que não faltam nessa discussão são argumentos. Para todos os lados. O primeiro grupo tem a seu favor uma experiência recente: o dólar vem oscilando na faixa dos R$ 2,10 a R$ 2,20 há mais de um mês. Ao mesmo tempo, acrescentam, a manutenção das compras diárias do Banco Central, uma menor atratividade para o investidor estrangeiro carregar posições financeiras em reais. Há também o argumento de que pode ser mais vantajoso como estratégia de investimento captar em dólares no Brasil do que no exterior, fazendo uma arbitragem de taxas com posições compradas em dólar. Nessa arbitragem, os bancos captam em reais a um juro na casa de 15% ao ano e usam os recursos na compra de dólar , numa operação casada que embute uma perspectiva em torno de 10% de alta na moeda americana. Curiosamente, o grupo que discorda da tese de que o câmbio experimenta alguma estabilidade na faixa atual também utiliza o mês passado como uma referência importante nas análises. "Tivemos um laboratório muito interessante no período, com troca na Fazenda, incerteza externa com treasuries e petróleo e, ainda, uma demanda adicional muito grande com o aumento das posições compradas no sistema financeiro. Com tudo isso, o dólar ficou praticamente estável", afirma o economista Darwin Dib, do Unibanco. Para ele, somar essa experiência recente com um balanço de pagamentos cada vez mais positivo só pode dar um resultado: manter a tendência de queda para a moeda norte-americana. Já o pequeno grupo que acredita em recuperação do dólar frente ao real, leva em consideração uma piora significativa do cenário externo, com ciclos de apertos monetários mais intensos e duradouros nas principais economias desenvolvidas e/ou com uma elevação adicional dos preços do petróleo que chegue a afetar os níveis de crescimento da demanda global. (Resumo de reportagem Especial divulgada pelo AE News, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado)

Agencia Estado,

27 Abril 2006 | 07h00

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