Mercado em coro: Selic cai 0,75 ponto

A Agência Estado ouviu 60 analistas do mercado financeiro e apurou que 56 deles esperam corte de 0,75 ponto porcentual na taxa básica de juros, a Selic, hoje pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Entre os argumentos que justificam a aposta, está o fato de o cenário interno estar praticamente idêntico ao verificado na época do encontro anterior: inflação sob controle e dólar em baixa. Mas alguns analistas citam mais motivos para o conservadorismo: a incerteza externa; o aumento dos gastos públicos -- que elevam a necessidade de arrecadação de impostos --; e o fato de que, à medida que a taxa Selic atual aproxima-se da esperada para o final do ano, menor é a chance de cortes mais contundentes. Essa é o opinião, por exemplo, do economista-chefe da Concórdia Corretora, Elson Teles. ?Este ponto fica ainda mais claro quando a maioria dos membros do Copom justifica que a decisão por nova redução de 0,75 ponto porcentual na taxa de juros básica na reunião passada esteve condicionada à melhora observada no balanço de riscos entre inflação e atividade entre as reuniões de janeiro e março?, afirma Teles. Além desses riscos, diz, ressalte-se a piora observada em algumas variáveis relevantes do cenário externo, tais como petróleo -- o barril bateu recorde de preço e atingiu US$ 70,25 -- e taxas de juros no exterior, que podem se traduzir em maiores dificuldades para a evolução futura da inflação. ?Por enquanto essas pioras não deverão implicar em aumento das projeções atuais de inflação pelos modelos do BC, mas isso não quer dizer que, através de uma avaliação mais qualitativa, não devam ser levadas em consideração na tomada de decisão?, diz Teles. Segundo ele, incertezas em relação aos preços futuros do petróleo e à trajetória das taxas de juros nos países centrais tendem naturalmente a ampliar a margem de erro das projeções futuras de inflação. (Sobre a expectativa para a reunião do Copom de hoje, veja também a entrevista feita pelo especialista em inflação da Agência Estado, Francisco Carlos de Assis, com o economista-chefe do banco WestLB, Adauto Lima. Basta um clique na seção AE TV no menu à esquerda).

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.