Ibovespa encerra em queda com apreensão quanto à prisão de Lula

Ibovespa encerra em queda com apreensão quanto à prisão de Lula

Bolsa fecha aos 84.820 pontos, queda de 0,46%, em meio a dúvidas dos investidores quanto à prisão do ex-presidente

Renata Pedini, Ana Luísa Westphalen, Simone Cavalcanti, Paula Dias e Mateus Fagundes, O Estado de S.Paulo

06 Abril 2018 | 09h40

A Bovespa fechou em queda nesta sexta-feira, 6, marcado pela deterioração acelerada e intensa dos preços dos ativos no Brasil, em resposta ao aumento das dúvidas dos investidores quanto à prisão de Lula ainda hoje e sobre a chance de ele conseguir um habeas corpus. O Ibovespa fechou aos 84.820,42 pontos, queda de 0,46%.

Ainda, há grande incerteza sobre os desdobramentos do caso e em relação ao cenário eleitoral, principalmente sobre quem atrairia as intenções de votos no petista.

"A possibilidade de Lula não se entregar levou o dólar a bater níveis de stop loss", afirmou operador da corretora Fair Hideaki ao Broadcast.

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Os ajustes ocorreram em meio à divulgação de que o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu que a presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, se manifeste sobre um eventual erro na distribuição de um habeas corpus impetrado por um advogado de São Bernardo do Campo (SP) a favor do ex-presidente Lula. Ele diz que o habeas corpus deveria ter ido para o ministro Alexandre de Moraes.

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Segundo os profissionais de mercado consultados, a piora ocorreu também em meio ao reforço da cautela no exterior, com a possível guerra comercial entre Estados Unidos e China. Na avaliação da Moody's, a escalada da tensão comercial pode ter impacto econômico e financeiro além do que seria transmitido por meio de canais de comércio direto, caso as tarifas planejadas sejam implementadas.

As quedas em torno de 9% das ações da Eletrobrás no pregão de hoje também contribuíram para a baixa local. O recuo foi atribuído à percepção de investidores de que a possibilidade do atual Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Wellington Moreira Franco, ser o novo ministro de Minas e Energia no lugar de Fernando Coelho Filho torne a pasta mais política do que técnica, deixando para trás o projeto de privatização da companhia.

As blue chips fecharam a sessão com sinais distintos. Os papéis da Petrobras ficaram na contramão do recuo cotações do petróleo no mercado internacional. As ações ON e PN da petroleira nacional avançaram encerrando, na máxima 1,03% (R$ 23,58) e 0,61% (R$ 21,28), respectivamente. Também em alta Itaú Unibanco PN (0,49%). As demais do grupo das preferidas dos investidores estrangeiros apontaram para baixo, como Vale ON (-1,18%), Banco do Brasil (-1,31%) e Bradesco (-0,31%).

Dólar. A moeda americana fechou aos R$ 3,3630, em alta de 0,67%. Às 11h40, o dólar valia R$ 3,3731, em alta de 0,98%. O DI para janeiro de 2021 apontava 8,09%, de 8,02% no ajuste de ontem.

Para Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, a alta do dia foi um misto de fatores externos e internos que incentivaram a aversão ao risco.

No que diz respeito ao cenário político, ele atribui a uma "insegurança política e jurídica" a postura mais cautelosa do investidor, que teria buscado proteção no dólar.

"Diante dessa incerteza, o investidor opta por ficar comprado, pois a possibilidade de erro é pequena. E não podemos esquecer que o País continua a enfrentar os mesmos obstáculos de 2017 e ainda temos o risco de uma terceira denúncia contra o presidente Michel Temer. Tudo disso deixa o investidor estrangeiro em uma espécie limbo", afirmou

Mercados internacionais. A escalada do conflito tarifário entre os Estados Unidos e a China seguiu pesando sobre os mercados, provocando afastamento de ativos de risco e busca por segurança. A admissão pelo secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, da possibilidade de guerra comercial com o país asiático azedou ainda mais o humor dos investidores, na esteira da sinalização de aumento nas barreiras.

Ao final, o índice Dow Jones recuou para 23.932,76 pontos, queda de 575,246 pontos (-2,34%). O Nasdaq, por sua vez, perdeu o importante nível de 7 mil pontos, encerrando em 6.915,11 pontos (-2,28%). Já no S&P 500, praticamente todas as ações encerram em queda. O índice, no entanto, conseguiu se manter acima do patamar psicológico de 2,6 mil pontos - recuo de 58,37 pontos (-2,19%), para 2.604,47 pontos.

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