Mercado fica surpreso com oferta da Sadia pela Perdigão

Analistas receberam com surpresa a notícia de que a Sadia lançou uma oferta hostil (não esperada) para a compra da Perdigão. Pelos termos, a Sadia pagará R$ 27,88 por ação da concorrente, o que representa um prêmio de 35% em relação à média de preço dos papéis nos 30 últimos pregões. A intenção é comprar 100% da empresa, por R$ 3,7 bilhões ou, no mínimo, 50% mais uma ação, adquirindo o seu controle. Para concretizar a operação, a Sadia conta com R$ 1 bilhão em caixa, mas a maior parte dos recursos (R$ 2,7 bilhões) virá de um empréstimo do banco ABN Amro. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informa que esta é a primeira oferta pública voluntária para a aquisição de uma companhia já registrada no Brasil, com base no artigo 257 da Lei nº 6.404. A autarquia esclarece que, na década de 70, quando a lei foi criada, houve uma tentativa de fazer uma operação parecida, mas que não foi adiante. A oferta hostil chega ao mercado brasileiro ao mesmo tempo em que várias de suas empresas caminham para a pulverização de seu controle. Uma das novidades que o anúncio dessa dissipação traria seria a chegada desse tipo de operação ao mercado doméstico. Atualmente, Embraer, Perdigão, Diagnósticos da América (Dasa) e Submarino têm controle pulverizado. Para analistas, em princípio, a tendência das ações da Perdigão, hoje, é de alta, com os papéis buscando o preço definido pela rival na oferta. Já a Sadia deve cair ou subir menos, uma vez que a empresa está se alavancando para fechar negócio. Após leilão de 15 minutos, Sadia PN subia 9,4%, cotada a R$ 6,24. Perdigão ON avançava 16,74%, para R$ 26,85. Apesar da alavancagem financeira da Sadia, operadores observam também que a empresa terá muitos ganhos em sinergia, o que poderá compensar o endividamento. Apesar da alavancagem financeira da Sadia, operadores observam também que a empresa terá muitos ganhos em sinergia, o que poderá compensar o endividamento. O prêmio embutido na operação foi considerado pelos analistas como na média de operações semelhantes realizadas no exterior. Alguns operadores lembram ainda que vários fundos possuem grande participação na Perdigão. Hoje, eles detêm cerca de 47,1% das ações da companhia. As maiores participações são de Previ (15,31%), Petros (11,63%) e Sistel (6,41%). Resta saber se eles orquestrarão alguma outra proposta para convencer acionistas a recusarem a oferta.

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