Mercado financeiro começa a retomar a calma

O mercado financeiro começou a digerir, com mais tranqüilidade, as mudanças feitas na equipe econômica no início da semana. Além da sinalização de que nada vai mudar na economia, os investidores ficaram mais aliviados com a garantia de que o status do Banco Central (BC) será reforçado e que a política monetária não ficará dependente da Fazenda. Com a nomeação de Guido Mantega para substituir Antonio Palocci no Ministério da Fazenda, havia intensa preocupação de que pudesse haver alguma interferência na rigorosa política de redução da taxa Selic (juros básicos da economia), adotada até agora pela diretoria do BC. Especulou-se até que o presidente da autoridade monetária, Henrique Meirelles, pudesse deixar o cargo. Mas todos esses temores foram afastados pelo próprio Meirelles. Segundo ele, o BC se reporta ao presidente da República e não à Fazenda. Isso deu ânimo ao mercado. "O Meirelles é o fiador do governo e a sensação é de que ele ganhou uma blindagem do presidente Lula para impedir qualquer interferência política", afirmou um operador. Embora o dólar tenha fechado em alta ontem, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) conseguiu recuperar parte das perdas do dia anterior, beneficiada também pelo bom humor do mercado mundial. A bolsa paulista fechou em alta de 2,21%, em 37.491 pontos. Movimento que demonstrou mais confiança do investidor estrangeiro, depois do estresse dos últimos dias. "As incertezas estão se dissipando. O mercado já trabalha com o cenário de que a política econômica e a independência do BC serão mantidas", afirmou o economista-chefe da GAP Asset Management, Alexandre Maia. Mas os analistas continuarão de olho nos desdobramentos do cenário político, em especial aos nomes que vão compor a equipe de Mantega. Isso significa que o mercado continuará volátil. Além disso, os investidores estarão atentos à reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), adiada para amanhã, que vai definir a nova taxa de juros de longo prazo (TJLP). Será o primeiro teste de Mantega na Fazenda. No câmbio, o dólar continuou pressionado ontem e fechou em alta de 0,23%, em R$ 2,214. "A tendência da moeda americana continua sendo de baixa. Mas trata-se de um mercado sensível, que se estressa com facilidade", afirmou o gerente de câmbio da Corretora Souza Barros, Marcos Forgione. Com a turbulência, o BC optou por não fazer novamente leilão de swap cambial reverso hoje - um mecanismo em que a autoridade monetária assume posição ativa em câmbio e passiva em taxa de juros. No mercado de dívida, os títulos brasileiros negociados no exterior também reagiram e fecharam em alta. O A-Bond subiu 0,51%, para 108,7% do valor de face e o Global 40, 0,47% para 128,6%. O risco país recuou 0,42% para 236 pontos.

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