Mercado imobiliário atrai estrangeiro para o país

Os investidores estrangeiros estão interessados no mercado imobiliário brasileiro, mas não devem representar uma concorrência direta ao investidor pessoa física, independente do porte. Uma das maiores consultorias atuantes no Brasil, a Cushman & Wakefield Semco, tem recebido entre duas e três consultas por semana de fundos de investimento estrangeiros, interessados em grandes fatias de projetos comerciais ou corporativos. Segundo a presidente da empresa para a América do Sul, Celina Antunes, esse movimento ganhou força no ano passado. Contudo, não resultou na concretização de grandes negócios por falta de projetos de grande porte, que se enquadrem nas disponibilidades de US$ 200 milhões a US$ 300 milhões dos fundos estrangeiros. Esses investidores não pretendem pulverizar esses recursos e têm restrições à Lei do Inquilinato. A procura por um ativo que comporte esse valor de investimento justifica-se pelo fato de os fundos estrangeiros optarem pela concentração do risco em um único cliente, com baixa classificação de risco e, no caso de carteiras pulverizadas em diversos imóveis, os riscos do investimento podem variar demais. No caso do investidor pessoa física, a procura maior é por participação em empreendimentos hoteleiros no Norte e Nordeste do País. Para reduzir esse risco, o investidor estrangeiro está em busca, principalmente, de ativos que sejam ofertados por meio de operações conhecidas como sale & lease back, algo como venda e locação subseqüente. Nesse tipo de operação, o imóvel comercial ou corporativo ocupado por um cliente é vendido a um investidor e grupo de investidores, que aluga de volta o ativo e passa a manter com esse cliente uma relação de inquilinato por até 20 anos. Nesses casos, a rentabilidade mensal varia de 0,8% a 1,2% ao mês. Esse tipo de operação, contudo, traz outro risco ao investidor em decorrência da legislação em vigor no País. Enquanto as regras não mudam e a oferta de ativos caros e de qualidade não atende à demanda, o investidor estrangeiro tem buscado o mercado brasileiro de títulos com lastro imobiliário ou o aporte direto em empresas e empreendimentos. Prova disso foi a forte participação dos estrangeiros nas recentes ofertas de ações promovidas por construtoras brasileiras, dentre elas Gafisa e Company. No caso da primeira companhia, que já tinha capital aberto, eles ficaram com 72,2% do total de papéis distribuídos. Na Company, essa participação foi de 64%. Com informações do AE Empresas e Setores, serviço da Agência Estado de informações e análises do setor corporativo, de ações em bolsa e de fundos de investimento

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