Mercado prevê mais cortes na Selic, o que favorece os títulos prefixados

As apostas de cortes na taxa básica de juros da economia (Selic) estão crescendo. Com elas, sobem as expectativas de ganhos com aplicações em títulos prefixados. Isso porque, ao contrário dos títulos pós-fixados, a rentabilidade para a data do vencimento não acompanha as oscilações dos juros no mercado. Dessa forma, quando os juros caem, o dinheiro aplicado em título prefixado apresenta um ganho relativo, se comparado à redução dos ganhos de aplicações que rendem juros pós-fixados. É praticamente consenso entre o mercado que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzirá a taxa Selic em 0,50 ponto porcentual em sua reunião de amanhã (quarta-feira). O mercado prevê ainda que a taxa seja reduzida em outro 0,25 ponto porcentual na reunião seguinte do Copom, em agosto. Há quem aposte mais longe: o banco de investimentos Goldman Sachs acredita que as quedas na Selic não serão encerradas em agosto. Segundo o banco, as taxas muito baixas de inflação e as expectativas em declínio dão ao Copom "algum espaço para estender seu ciclo de afrouxamento um pouco mais do que o que nós projetávamos", explicou, em nota divulgada ontem. O banco de investimentos antes previa uma última redução da Selic em agosto. Agora, a instituição financeira vê a possibilidade de mais cortes depois disso. O mercado tem repetidamente revisado para baixo suas expectativas quanto à inflação. De acordo com a pesquisa Focus, divulgada ontem, o mercado prevê que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerre o ano em 3,77%, bem abaixo da meta de inflação do governo, de 4,5%. A distância entre os dois números dá embasamento à percepção de que há espaço para a queda da Selic.

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