Mercado reforça aposta de que juro cairá para 16,5%

O mercado de juros começou o dia no sistema eletrônico de negociações GTS, da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), querendo exibir uma melhora, mas virou para o lado negativo em poucos minutos. Acompanhou o dólar, que abriu em baixa na BM&F, mas reverteu (subia 0,60% às 10h, cotado a R$ 2,181). Os juros dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries) voltam a subir esta manhã (+0,21% para o papel de 10 anos de prazo e +0,14% para o de 30 anos), o que mantém os mercados em estado de cautela. É justamente a alta dos juros dos Treasuries nestes últimos dias que cortou o espaço de crescimento de apostas mais ousadas para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro, como a de queda de 1 ponto porcentual na taxa Selic, atualmente em 17,25%. O mercado de juros, que já apostava antes majoritariamente em corte de 0,75 pp, reforçou essa ponta conservadora, por considerar que o cenário externo - até poucos dias considerado tranqüilo - mudou com perspectivas de aperto monetário nos EUA, zona do euro e Japão. Como o perfil do BC brasileiro é visto como conservador, boa parte do mercado viu nessa alta dos juros dos Treasuries mais uma boa razão para a autoridade monetária permanecer no seu script - e nas suas doses comedidas de corte da Selic. A piora do humor no mercado de juros foi nítida nos contratos futuros de DI longos e na primeira etapa do leilão de venda de Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-B) ontem. NTN-B é um título do Tesouro corrigido por índice de inflação (IPCA). Os contratos longos de DI embutem maior prêmio de risco que os curtos e são os preferidos dos estrangeiros, que agora estão mais reticentes. No leilão, as NTN-B foram vendidas a taxas ligeiramente acima das do leilão anterior. A NTN-B de 15 de agosto de 2010, por exemplo, saiu a 9,18%, ante 9,15% da oferta anterior e, no mercado secundário, segundo um operador, o último negócio ontem com este papel saiu a 9,37%. Hoje tem segunda etapa do leilão. Na BM&F, o juro do DI de janeiro de 2007 batia a máxima de 15,29% nas negociações do GTS esta manhã, recuando em seguida a 15,28%, ante fechamento ontem a 15,25%.

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