Mercado se divide entre dólar por telefone ou no pregão

Passados dois meses do início de seu funcionamento, a roda formada por operadores para a negociação do dólar comercial no pregão da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) ainda gera discussões apimentadas. De um lado, algumas corretoras apregoam que a "roda de dólar pronto, como é chamada no mercado financeiro, simplesmente "não pegou". O argumento é que os volumes negociados na BM&F seriam inexpressivos em relação ao total transacionado diretamente entre instituições financeiras (conhecido como mercado de balcão) e que poucos bancos aderiram de maneira efetiva ao pregão na bolsa. Do outro lado, a própria BM&F e algumas instituições financeiras garantem que o novo ambiente para a efetivação de negócios tem desempenho excelente para tão pouco tempo de vida e que irá concentrar o grosso do volume negociado em um futuro não muito distante. Hoje, a roda da BM&F movimenta, em média, volume diário de US$ 250 milhões. É pouco, afirmam os críticos, se a gente pensa no giro médio de US$ 1,5 bilhão ao dia, segundo números do Banco Central. "A questão é que dólar não é uma mercadoria de bolsa", opina o diretor da Pionner Corretora, João Medeiros. Segundo ele, todo o mundo acreditava que, com o novo local de negócios, o pregão da BM&F iria concentrar a liquidez. "Mas não é isso o que eu vejo", afirma. Mas os defensores da roda da BM&F também têm argumentos. "O mercado opera há mais de 20 anos com negócios fechados pelo telefone e uma mudança dessa cultura é algo que leva tempo para ser assimilada. De qualquer forma, é preciso considerar que, do volume do mercado interbancário, cerca de 70% são as chamadas operações casadas, diz o diretor-geral da BM&F, Edemir Pinto. Nesse tipo de transação, o investidor opera, simultaneamente, no mercado à vista e futuro da moeda. Se compra a divisa no mercado à vista, vende no mercado futuro e vice-versa. O interesse está no diferencial de preço da moeda nos dois mercados. No fechamento de ontem, por exemplo, o diferencial era de R$ 0,0125 por dólar. Ele acrescenta que, das operações definitivas, isto é, da simples compra ou venda da moeda, a BM&F já conta com mais de dois terços de todo o volume negociado diariamente. "Para dois meses de funcionamento, é muito mais do que a gente esperava." Esse parece ser o ponto-chave da discussão. O que de fato ocorre é que as chamadas operações casadas e os ajustes de Ptax (cotação média ponderada pelo volume de negócios apurada pelo Banco Central no final do dia) vêm sendo feitos quase que exclusivamente pelo telefone e são posteriormente registradas no Banco Central. Não quer dizer, no entanto, que necessariamente continuará sendo assim. "O próximo passo na roda da BM&F é naturalmente o de fazer as operações casadas. Só que decidimos esperar um pouco mais para discutirmos exaustivamente a forma de ajuste e mecanismos com o mercado", diz o diretor da BM&F. Segundo ele, duas opções estão em estudo. Uma é a de que as operações casadas sejam ofertadas em uma só roda de operadores na BM&F. Outra é a de que sejam realizadas nas duas rodas de corretores - à vista e futuro -, o que exigiria algumas adaptações nas instituições financeiras, sobretudo aproximar as mesas de derivativos com a mesa de câmbio. "Temos um comitê que discute esse assunto. Não temos pressa", diz Edemir. (Resumo de matéria especial divulgada ontem pelo AE News. O produto é o serviço de informações financeiras, econômicas e políticas em tempo real da Agência Estado)

Agencia Estado,

07 Abril 2006 | 07h00

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