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Mercado segue otimista com Previdência e dólar tem 3ª queda seguida

A moeda americana terminou o pregão desta terça-feira, 12, em queda de 0,7%, cotada a R$ 3,81; no mercado de ações, investidores aproveitaram a sessão para embolsar lucros, levando o Ibovespa a cair 0,2%

Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2019 | 18h17

O otimismo com a tramitação da reforma da Previdência e o enfraquecimento do dólar no exterior levaram a moeda americana a registrar a terceira queda consecutiva ante o real. A divisa terminou em baixa de 0,68%, a R$ 3,8148. Contribuiu também para a queda a expectativa de que mais empresas acessem o mercado externo, após a Petrobrás captar nesta terça-feira, 12, US$ 3 bilhões, com demanda pelos papéis chegando a US$ 10 bilhões. Ajuda ainda a possibilidade de entrada extra de recursos externos no País com o leilão de 12 aeroportos marcado para a sexta-feira.

No mercado acionário, depois de ter subido mais de 4% em três sessões de ganhos, o índice Bovespa perdeu fôlego nesta terça-feira e cedeu 0,20%, aos 97.828,03 pontos. Operadores relacionaram a queda a uma leve realização de lucros, considerada natural depois da euforia da véspera, gerada pelo otimismo com a tramitação da reforma da Previdência.

No noticiário sobre a Previdência, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a proposta da reforma da Previdência pode ser votada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara entre os dias 27 e 28 deste mês. A CCJ deve ser instalada nesta quarta-feira e é o primeiro passo da tramitação da Previdência. Mais cedo, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que "acredita ser possível" votar a reforma ainda no primeiro semestre e que "desta vez a reforma vai ter a agilidade que merece"

O líder do PSL na Câmara, delegado Waldir (GO), afirmou no final da tarde que os líderes partidários concordaram em cumprir um acordo para que a reforma da Previdência só seja votada na CCJ quando o texto da proposta de aposentadoria para os militares chegar ao Congresso, o que se espera para o dia 20.

Dólar

Na avaliação do economista-chefe do banco francês BNP Paribas para América Latina, José Carlos Faria, o dólar pode cair a R$ 3,25 no final do ano com a aprovação da reforma e um ambiente externo que deve ser marcado este ano por baixos juros nos países desenvolvidos, o que ajuda a atrair capital para o Brasil. O economista vê o dólar se enfraquecendo este ano na economia mundial, por conta da desaceleração esperada para o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA este ano. "Temos situação confortável no balanço de pagamentos e acreditamos que o câmbio hoje está subvalorizado", disse ele. Para a Previdência, ela espera aprovação até outubro do texto no Congresso.

No exterior, o dólar hoje caiu em relação ao euro e a divisas de emergentes, como as da Rússia (-0,42%), México (-0,51%) e Colômbia (-0,90%). Dados mais fracos que o esperado da inflação ao consumidor dos Estados Unidos em fevereiro contribuíram para o enfraquecimento da moeda. Na Europa, a expectativa ao longo do dia pela votação da nova proposta de acordo de saída do Reino Unido da União Europeia, derrotada no final da tarde por ampla diferença de 149 votos, fez a libra cair fortemente.

Bolsa

Segundo o analista da Terra Investimentos Régis Chinchila, a queda da Bolsa ocorreu por uma "realização de lucros normal, com investidores aguardando detalhes da instalação da CCJ, amanhã (quarta-feira, 13), para avaliar o texto da reforma da Previdência". "Foi uma baixa bastante leve se levarmos em consideração a alta de 2,79% ontem (segunda-feira, 11). Era natural que papéis como os da Petrobrás, com ganho de até 5%, passassem por correção hoje", disse outro profissional. "A expectativa segue concentrada na instalação da CCJ", completou.

Entre as ações que fazem parte do Ibovespa, quedas mais representativas estiveram entre as do setor financeiro, como Banco do Brasil ON, que caiu 0,61%. Os papéis da Petrobrás terminaram o dia com perdas de 1,66% (ON) e de 0,90% (PN), relacionadas à correção das altas da véspera. A petroleira concluiu hoje captação com emissão de bônus, sendo US$ 2,25 bilhões com a colocação de novos papéis com vencimento em 2049 e US$ 750 milhões por meio da reabertura de bônus 2029. Segundo fontes, a companhia pode ampliar a captação em US$ 1 bilhão, devido à elevada demanda pelos papéis, que supera os US$ 10 bilhões. 

Pela manhã, o Ibovespa chegou a subir timidamente, atingindo máxima de 98.149 pontos (+0,13%). Na mínima do dia, recuou até os 97.266 pontos (-0,77%). Os negócios do dia totalizaram R$ 12,6 bilhões. Operadores afirmam que a desaceleração do ímpeto comprador esteve relacionada à menor participação do investidor estrangeiro, que liderou as ordens de compra na segunda-feira.

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