Mercados asiáticos fecham em queda; China é exceção

A queda em bolsas regionais nesta quarta-feira e em Wall Street ontem provocaram baixa na Bolsa de Hong Kong hoje. O movimento de baixa foi liderado pelos papéis do HSBC e outras blue chips relacionadas com mercados norte-americanos. O índice Hang Seng caiu 0,8%, para 19.553,87 pontos. De acordo com os operadores, as incertezas sobre a economia americana continuarão no curto prazo, em razão do depoimento do presidente do Federal Reserve (Banco Central dos EUA), Ben Bernanke, a uma comissão do Congresso hoje. Mas as baixas serão limitadas pelo "window dressing" dos fundos no final do trimestre. Blue chips com forte relação com os EUA sofreram o impacto da queda dos preços das residências em território americano e da pesquisa que apontou queda da confiança do consumidor na economia daquele país. As ações do HSBC fecharam 1,1% abaixo do registrado ontem. A exportadora Li & Fung, que fornece bens para varejistas norte-americanos, recuou 2,4%. A fabricante de sapatos Yue Yuen Industrial teve baixa de 1,1%. China Mobile, a maior operadora de telefones celulares do mundo (por assinantes), recuou 1,1%. As rivais China Netcom e China Unicom avançaram em razão da perspectiva de que as licenças para telefones celulares de terceira geração sejam concedidas em breve. China Netcom subiu 3,5% e China Unicom teve aumento de 1,3%. Henderson Land teve alta de 3,2%. Henderson Investment avançou 6,4%. A alta dos papéis do setor bancário, em razão das boas expectativas de lucros, teve grande importância no bom desempenho da Bolsa da China nesta quarta-feira. O Xangai Composto reverteu as perdas da primeira parte do pregão e fechou com a oitava alta consecutiva. O índice subiu 1,1%, para 3.173,02 pontos, seu sexto recorde seguido. O Shenzhen Composto, no entanto, caiu 0,7%, para 835,75 pontos, após seis altas consecutivas. Industrial Bank registrou alta de 3,1%, depois de anunciar um aumento de 54% em seu lucro líquido em 2006. O Banco Comercial e Industrial da China (ICBC, na sigla em inglês) teve aumento de 2,7% e Bank of China avançou 2,9%. Bancos menores também registraram bons negócios: Hua Xia Bank teve alta de 7,8% e China Minsheng Banking fechou 4,9% acima do valor registrado no pregão anterior. Mas esses ganhos foram parcialmente ofuscados pela queda em empresas do setor de transportes, ocasionada pela alta de mais de US$ 5 do barril do petróleo para maio na Nymex. A operadora de táxis Shanghai Qiangsheng Holding recuou 4,3% e Shanghai Bashi Industrial (Group) teve perdas de 3,5%. Empresas aéreas também caíram. Shanghai Airlines registrou baixa de 3,7%; China Eastern Airlines caiu 2,6% e Air China perdeu 2,1%. A fraqueza do dólar, ontem, ante as principais moedas alavancou os ganhos do yuan. Operadores disseram que a queda do dólar abaixo do nível chave de 7,73 yuans pode ser um sinal de que a moeda chinesa está pronta para retomar um ritmo mais rápido de apreciação. O dólar foi cotado a 7,7286 yuans no sistema automático de preços, ante 7,7306 yuans no fechamento de terça-feira. A Bolsa de Taipé (Taiwan) encerrou seus negócios em queda, refletindo o fraco desempenho de Wall Street ontem, segundo Andrew Teng, gerente de vendas da Taiwan International Securities. O índice Taiwan Weighted recuou 0,7%, para 7.788,14 pontos. As perdas foram lideradas por ações de grandes empresas de tecnologia. TSMC caiu 1,3% e UMC registrou baixa de 1%. BenQ teve queda de 3,4%, depois de ter divulgado que pretende vender 100 milhões de ações da AU Optronics, que por sua vez fechou 2,8% abaixo do registrado no pregão anterior. O mercado sul-coreano fechou em baixa nesta quarta-feira, com o recuo de 0,9% do índice Kospi da Bolsa de Seul, para 1.439,74 pontos. ?O Kospi parece ter seguido a tendência de perdas dos mercados regionais, que caíram por causa da percepção de que a alta do preço do petróleo poderia resultar em uma redução do ritmo de crescimento da economia dos EUA", disse o analista Won Jong-Hyuck, da SK Securities. Daewoo Securities fechou em baixa de 3,1%. LG Petrochemical perdeu 5,2%, com a queda dos preços do etileno. Entre as ações em alta, Hyundai Heavy subiu 3,7% por causa de notícias divulgadas esta semana de que a empresa será fornecedora de equipamentos para uma usina de energia estatal na Arábia Saudita. Nas Filipinas, o índice PSE Composto da Bolsa de Manila recuou 0,4%, para os 3.162,81 pontos, em um pregão de volume moderado de negociações, também refletindo o resultado do mercado americano. Philippine Long Distance Telephone liderou as quedas do dia, com baixa de 1,8%, depois de seus ADRs terem recuado 0,4% ontem. Já empresas do setor imobiliário, como Ayala Land e Megaworld, subiram. As perspectivas para a atividade são boas em razão da baixa taxa de juros e da boa demanda por imóveis. A oferta secundária de ações do Rizal Commercial Banking Corp. deve impulsionar os negócios amanhã. Ayala Land subiu 3,2% e Megaworld teve ganhos de 4,6%. Na Bolsa de Sydney, o nervosismo dos demais mercados da região e a falta de interesse antes do encerramento do trimestre em março fizeram com que o índice S&P/ASX 200 fechasse em baixa de 0,7%, para 5.923,2 pontos. Os investidores aguardam a divulgação dos dados sobre a venda de bens duráveis nos EUA e as declarações do presidente do Federal Reserve ao Senado. BHP registrou baixa de 1%; National Australian Bank caiu 0,8% e Rinker Group recuou 1,9%. Já Woodside subiu 0,5% em razão do aumento dos preços do petróleo. Na Tailândia, o índice SET da Bolsa de Bangcoc recuou 1,4%, para 669,04 pontos, a maior baixa em cinco dias, com volume moderado de negócios, com os fundos desfazendo-se de blue chips. A direção que a Bolsa tomará amanhã dependerá do desenrolar das tensões no Irã. Siam Commercial Bank perdeu 3,6%; Thai Oil caiu 2,6% e Thoresen Thai Agencies recuou 4,4%. O mercado indonésio fechou em baixa, seguindo a tendência dos demais mercados asiáticos. "O mercado 'ficou sem gás' após os ganhos nas duas sessões anteriores", disseram analistas. O índice JSX Composto da Bolsa de Jacarta recuou 1%, para 1.800,39 pontos. A distribuidora de veículos Astra - com queda de 3,1% - e a mineradora de níquel Inco - com recuo de 2,3% - lideraram as baixas. Astra por conta de preocupações com registro de vendas nas fracas no primeiro trimestre e a mineradora devido a mais realizações de lucros depois de apurar alta de mais de 30% desde o início do ano. A volatilidade dos preços do petróleo e a queda em Wall Street ontem trouxeram nervosismo à Bolsa de Cingapura. O índice Strait Times recuou 1%, para 3.201,75 pontos. "O mercado teve um bom desempenho nos últimos dias, então está procurando uma justificativa para se consolidar", disse um corretor de um banco local. DBS, o maior banco do país por capitalização de mercado, recuou 2,8%, após ser noticiado na imprensa coreana que o banco está procurando parceiros para constituir um consórcio para assumir participação majoritária no Korea Exchange Bank (KEB), mas uma pessoa a par do assunto disse que o DBS ainda está juntando informações para o negócio. "Eu não acredito que eles possam comprar algo barato nesse mercado, portanto, aparentemente eles devem pagar um prêmio pelo KEB caso eles o vendam", afirmou o corretor de uma firma internacional. Singapore Airlines declinou 2,3% devido ao nervosismo com a alta do petróleo. No terreno positivo, Singapore Telecommunications avançou 1,3%, depois que o JPMorgan elevou o preço alvo de suas ações em 7%. O índice composto de 100 ações de primeira linha da Bolsa de Kuala Lumpur, na Malásia, fechou em baixa de 1%, para 1.235,24 pontos, na esteira do recuo dos demais mercados regionais, além de buscas de ofertas e operações de "window dressing" que fundos locais realizam no fim do primeiro trimestre para mitigar perdas. Os investidores voltaram a ficar nervosos com o crescimento das tensões geopolíticas, alta do petróleo e queda em Wall Street. Entre as principais baixas, UEM World perdeu 5,3%; Gamuda, 4,2%; SP Setia, 2,6%; e Iris, 9,6%. As informações são da Down Jones.

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