Vincent Thian/AP
Vincent Thian/AP

Bovespa vira e opera no azul após início 'sob controle' de mercado em NY

Às 13h56, o Ibovespa acumula alta de 1,38%, aos 82.999,41 pontos. Seu pior resultado do dia foi na parte da manhã, quando o indicador caiu 1,3%

O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2018 | 08h36

O principal índice de ações da Bolsa, o Ibovespa, ficou no azul no início da tarde desta terça-feira, 6, após a abertura de mercado em Wall Street, com as ações do Itaú Unibanco entre as principais influências positivas na esteira da divulgação do banco sobre suas projeções para 2018 e o anúncio de pagamento de dividendos para os acionistas.

Às 13h56, o Ibovespa acumula alta de 1,38%, aos 82.999,41 pontos. Seu pior resultado do dia foi na parte da manhã, quando o indicador caiu 1,3%, abaixo de 81 mil pontos.

'Sob controle'. O dia, contudo, é de muita volatilidade no mercado financeiro. Depois de iniciar o dia em queda, Dow Jones chegou a subir para depois voltar a cair. Às 14h, o indicador acumulava baixa de 0,10%, S&P500 perdia 0,20% e Nasdaq operava em queda de 0,10%.

A terça-feira começou sob o que o mercado chama de "forte correção técnica". Em resumo: as ações subiram muito nos últimos dias, mais do que realmente valiam, e, agora, os investidores estão realizando lucros, vendendo e comprando papeis e, naturalmente, trazendo as bolsas de valores para patamares mais realistas.

O estopim para esse movimento foi o receio de que o banco central dos Estados Unidos, o FED, possa adotar um processo mais rápido de alta das taxas de juros norte-americanas.

A bolsa paulista abriu sob a influência do quadro externo adverso, mas a pressão baixista no Ibovespa foi atenuada desde cedo pelo noticiário corporativo doméstico. Com a abertura mais tranquila das bolsas norte-americanas, as ações brasileiras retomaram o viés de alta.

Manhã. Apesar da forte sintonia entre o desempenho do Ibovespa e dos índices futuros em Wall Street na manhã desta terça-feira, a turbulência na Bolsa brasileira na segunda-feira foi mais contida. O índice à vista fechou o pregão regular em baixa de 2,59%, aos 81.861 pontos, garantindo ainda valorização de mais de 6,0% acumulada em 2018. Já em Nova York, as perdas superaram os 4,0%. Em termos porcentuais, o tombo por lá foi o maior desde 2011 e anulou os ganhos obtidos pelos investidores neste ano.

"Pelo fato de o Brasil ser um dos últimos emergentes a estar saindo da crise e estarmos começando a mostrar balanços melhores referentes ao quarto trimestre do ano passado, poderemos repercutir o noticiário externo ruim de uma maneira mais branda, caso o mercado americano parta para um sell-off (período de venda)", prevê o sócio e analista da Eleven Financial Raphael Figueredo.

De fato, as ações do PN do Itaú Unibanco - papel de maior peso na carteira teórica do Ibovespa - avançavam 2,18% há pouco, ajudando a amenizar limitar a perda da Bolsa. Conforme divulgado na segunda, o banco viu seu lucro líquido aumentar 7,95% no quarto trimestre sobre o mesmo período do ano anterior, para R$ 6,280 bilhões. Depois de dois anos consecutivos de encolhimento da carteira de crédito na esteira da retração da economia brasileira, o Itaú Unibanco prevê um crescimento de 4% a 7% do saldo para este ano.

Real e emergentes. O avanço do dólar ante o real reflete cautela dos investidores diante das incertezas sobre os rumos dos mercados em Nova York e também em relação à reforma da Previdência e às eleições no Brasil neste ano, disse o diretor da corretora Correparti Jefferson Rugik.

Para o diretor da corretora Mirae Pablo Spyer, a volatilidade é o nome do jogo hoje. "Não há como prever nada, por isso, os investidores devem manter cautela mesmo depois da melhora vista mais cedo hoje nos mercados", diz Spyer.

O sócio-gestor da Absolute Investimentos Roberto Serra diz que o real tem performado pior em relação ao dólar do que outras moedas ligadas a commodities nos últimos dias, após ter se valorizado mais também em janeiro.

O ajuste do real ocorre após a moeda brasileira ter acumulado queda de mais de 5% em janeiro até o dia 24 - data da condenação do ex-presidente Lula - e também ter fechado o mês passado com perdas ao redor de 3,70% no mercado à vista, após fortes ingressos de fluxo financeiro para o País no mês passado, além da pressão de baixa derivada do exterior.

Em janeiro até o dia 26, o fluxo cambial total foi positivo em US$ 4,542 bilhões, com entradas líquidas pelo canal financeiro de US$ 3,361 bilhões no período e um saldo positivo líquido pela via comercial em US$ 1,181 bilhão.

 

Mercados asiáticos. Em Tóquio, o índice Nikkei caiu 4,73%. O índice japonês está entrando em território de correção após acumular perdas de mais de 10% desde a máxima que atingiu em janeiro. 

Na China, a Bolsa de Xangai recuou 3,35% e o índice Hang Seng, de Hong Kong, foi mais expressivo: de 5,12%. Em outras partes da região asiática, o índice sul-coreano Kospi caiu 1,54% em Seul, enquanto o Taiex recuou 4,95% em Taiwan, em sua maior queda desde agosto de 2011, a 10.404 pontos. 

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Na Oceania, a bolsa australiana voltou para os níveis de meados de outubro, depois de apresentar sua maior queda em um único dia desde o fim de 2015. O S&P/ASX 200 caiu 3,20% em Sydney.  

Repercussão na Europa. Na manhã desta terça-feira, 6, importantes bolsas europeias iniciaram o dia em forte queda. O mercado alemão, em Frankfurt, por exemplo, abriu o pregão com queda de 3,58%. 

Mas os índices de ações europeus passaram a reduzir suas perdas de forma significativa logo após a abertura dos índices acionários de Nova York, que mostraram forte volatilidade. Após abrirem os três índices americanos com queda acima de 1,0%, as bolsas bateram máximas e chegaram a subir.

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Na sequência, as bolsas europeias reduziram as perdas. Às 12h46 (de Brasília), a bolsa de Londres tinha queda de 1,63%, a de Frankfurt perdia 1,91% e a de Paris cedia 1,94%. Já em Nova York, o índice Dow Jones tinha alta de 0,10%, o S&P 500 avançava 0,01% e o Nasdaq avançava 0,28%.

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