Mercados da Europa sobem de olho em novos estímulos

Investidores esperam que BCE anuncie novas medidas de estímulo na reunião de política monetária em 5 de junho

Sergio Caldas, da Agência Estado, com informações da Dow Jones Newswires,

27 de maio de 2014 | 14h05

As bolsas europeias fecharam majoritariamente em alta nesta terça-feira, 27, ainda impulsionadas pela perspectiva de mais relaxamento monetário na zona do euro e pelo resultado das eleições para o Parlamento Europeu. O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou o dia com ganho de 0,23%, a 344,47 pontos, seu maior nível desde janeiro de 2008.

Os investidores continuam confiantes de que o BCE vai anunciar novas medidas de estímulos na reunião de política monetária prevista para 5 de junho. Isso é o que vem sinalizando o presidente do BCE, Mario Draghi, e vários outros dirigentes da instituição nas últimas semanas. Nesta terça-feira, 27, Draghi comentou que está ciente dos riscos de um período prolongado de inflação baixa e reiterou que o BCE dispõe dos instrumentos necessários para cumprir seu mandato de estabilidade dos preços. Em abril, a inflação anual da zona do euro ficou em 0,7%, muito abaixo da meta do BCE, que é de uma taxa ligeiramente menor que 2%.

Outro fator que alimentou o otimismo na Europa foi o cenário político após as eleições para o Parlamento Europeu, encerradas no domingo, 25. Embora os chamados "eurocéticos" tenham avançado na Casa, continuarão minoritários em Bruxelas. Além disso, agradou a sólida vitória do partido governista na Itália, que abre o caminho para a execução de mais reformas.

Dados positivos dos EUA também contribuíram para o avanço das ações europeias. As encomendas de bens duráveis, por exemplo, surpreenderam ao avançar 0,8% em abril ante março, uma vez que analistas consultados pela Dow Jones Newswires previam queda de 0,7%. Além disso, o índice de confiança do consumidor norte-americano medido pelo Conference Board subiu para 83 em maio, de 81,7 em abril, vindo em linha com as expectativas.

Já a situação na Ucrânia continua inspirando cautela, apesar da eleição presidencial que transcorreu sem grandes incidentes no fim de semana. Mais cedo, o governo ucraniano retomou o controle do aeroporto de Donetsk de insurgentes pró-Moscou, num confronto que teria deixado 40 mortos, segundo o prefeito local.

A Bolsa de Londres, que na segunda-feira, 26, não operou devido a um feriado bancário, terminou a sessão em alta de 0,43%, com o índice FTSE 100 a 6.844,94 pontos. A rede de hotéis InterContinental subiu 3,4% após a notícia de que teria recebido uma oferta de compra de 6 bilhões de libras esterlinas da concorrente Starwood Hotels & Resorts. A AstraZeneca, por outro lado, recuou 1,76% após a Pfizer ter anunciado, na segunda-feira, 26, que não vai mais tentar adquirir a farmacêutica britânica.

O mercado em Paris oscilou ao longo do pregão, mas acabou fechando em ligeira alta de 0,06% no índice CAC 40, a 4.529,75 pontos, ajudado pelos bons indicadores dos EUA. O destaque na França foi a Airbus, que subiu 1,9% após seu executivo-chefe dizer que a empresa não tem planos de fusões e aquisições e pode se desfazer de ativos.

Em Frankfurt, o índice DAX avançou 0,49%, a 9.940,82 pontos, depois de marcar uma nova máxima histórica, de 9.951,90 pontos. Se destacaram na Alemanha a Infineon (+3,1%), Continental (+1,3%) e Lufthansa (+1,2%). Na Bolsa de Madri, o Ibex 35 ganhou 0,25%, a 10.714,20 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 teve a maior alta do dia, de 1,00%, fechando a 7.058,23 pontos.

A exceção entre os principais mercados europeus foi Milão. Após saltar 3,61% ontem na esteira da vitória do partido italiano da situação nas eleições para o Parlamento Europeu, o índice FTSE Mib recuou 0,42% no pregão desta terça-feira.

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