Mercados "devolvem" tensão gerada por troca de ministro

Hoje, o mercado financeiro "devolveu" a tensão gerada com a troca do ministro da Fazenda no começo da semana. Praticamente todos os preços dos ativos financeiros, que sofreram com a mudança de ministros ocorrida na última segunda-feira, já retornaram aos patamares observados antes do fato. Em alguns casos, os números hoje são inclusive melhores. A explicação é simples: o mercado assimilou a mudança. E algumas das preocupações imediatamente geradas, como a de uma mudança drástica na orientação da política monetária, estão por ora dissipadas. O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 2,165 na ponta de venda das operações, em baixa de 1,05% em relação aos últimos negócios de ontem. No fechamento da sexta-feira da semana passada, antes da troca de ministro, o dólar estava em R$ 2,16. Hoje, durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entra a máxima de R$ 2,186 e a mínima de R$ 2,162. Com o resultado de hoje, o dólar acumulou alta de 1,17% no mês de março. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 0,46%, em 37.951 pontos. No dia de maior tensão, impulsionado também por um dia ruim no mercado externo, o Ibovespa fechou em 36.682 pontos. Neste mês, o mercado de ações acumula uma perda de 1,70%. "Depois de um impacto inicial, os agentes do mercado perceberam que a mudança na Fazenda potencialmente afeta muito mais o médio prazo do que o curto prazo, sobretudo após garantida a autonomia de trabalho para o Banco Central", comenta o Superintendente Executivo de Tesouraria do BankBoston, Marco Antonio Sudano. "Junto com o balanço de pagamentos e os bons fundamentos da economia brasileira, isso permitiu que o mercado desse mais uma vez o benefício da dúvida ao governo e à sua orientação macroeconômica", acrescenta. "Passou o efeito do choque e agora entramos em um período de acomodação. A não ser que se volte a discutir mudanças de comando no Banco Central, possivelmente vamos ficar próximos de onde estamos, sem grandes oscilações para cima ou para baixo nos ativos, salvo novidades bombásticas ou uma mudança muito drástica nos mercados externos", reforça a economista Zeina Latif, do banco ABN Amro.

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